Ajuste fiscal: você já fez o seu?

Ajuste fiscal: você já fez o seu?

70 bilhões de reais. Esse é o tamanho da economia que o governo promete fazer esse ano pra colocar suas finanças em dia. No ano passado, o governo brasileiro gastou mais do que arrecadou, e fechou suas contas no vermelho. Por isso esse aperto no cinto dos gastos, aliado ao aumento de impostos que estão vindo por aí. E tudo isso deve ocorrer num cenário à vista nada agradável para muitos de nós brasileiros: recessão (crescimento econômico negativo), desemprego em alta, inflação acima da meta, pra ficar só em alguns indicadores. Já falamos aqui mais no começo do ano que o mar não está pra peixe, se lembra?

O governo está correndo para fazer a parte dele, que é equilibrar o seu orçamento. E por quê? Porque se as contas não estão fechando, o risco de calote aumenta e leva o custo da dívida junto com ele. Ou seja, fica mais caro tomar novas dívidas quando se está mais apertado de costura, o que piora o cenário, as contas públicas, etc. Um círculo vicioso perigoso!

Esses ajustes que serão feitos provocarão uma piora na vida dos brasileiros por um tempo, na esperança de melhoras à frente, quando a casa estiver em ordem novamente.  Pergunto: e você, no meio desse cenário sombrio, também está fazendo seu “ajuste fiscal”?

O governo tem uma grande vantagem sobre nós mortais: pode se dar de presente um “aumento de renda”. Como? Determinando, ele mesmo, um aumento das suas receitas: com uma canetada aqui e outra ali, aumenta os (já altos) impostos que todos nós pagamos, pra ajudar a fechar a conta.

No nosso caso, é mais difícil aumentar as receitas, pois isso geralmente depende de negociarmos um aumento lá com o patrão, que também deve estar preocupado e meio indisposto a aumentar o custo da folha de pagamento nesse contexto. Outra possibilidade seria arrumar outras fontes de receitas, o que nem sempre é simples, pois muita gente já trabalha o dia todo, gasta horas no transporte público e tem pouco tempo livre (além das horas dedicadas ao necessário descanso) pra fazer um dindim extra.

O que fazer, então? A saída menos difícil é rever seu orçamento pra ver quais despesas consegue cortar (a gente já falou sobre isso algumas vezes aqui no blog (aqui, aqui e aqui). Seguem algumas dicas:

  • Coloque no papel seus gastos e veja: o que é realmente necessário e indispensável? E o que é supérfluo, ou mesmo desperdício?
  • Reveja sua cesta de compras. Dá pra trocar a manteiga pela margarina, por exemplo?
  • Reduza a quantidade de vezes que você almoça na rua, ou mesmo troque de restaurante, para um mais baratinho.
  • Deixe o carro na garagem e vá de busão pro trabalho, ao menos de vez em quando.
  • Troque as lâmpadas da sua casa por lâmpadas de LED (falamos disso aqui).
  • Reveja seus planos de serviços de TV a cabo, telefonia, celular, internet, etc (lembra disso?).
  • Procure outras fontes de renda. Faz uma empadinha ou uns docinhos que todos que vão te visitar comem ajoelhados? Tem alguma habilidade extraordinária (toca um instrumento, ou fala inglês fluente?) reconhecida pelos seus amigos e familiares que possa servir num segundo trabalho?

Pois pense com carinho nessas ideias e mexa-se, pois nesse tempo de vacas magras, desemprego batendo na porta e preços altos, tá na hora de você pensar em dar uma apertadinha nos seus cintos, não acha?

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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