Big Data e o consumidor bancário

Big Data e o consumidor bancário

Você já se deparou com a expressão Big Data? A chance é grande. Big Data (megadados, em português), em tecnologia da informação, se refere a um grande armazenamento de dados. Dá uma ideia também da velocidade de criação de dados e sugere uma forma de utilização dessa quantidade enorme de informações.

Uma outra coisa que você deve saber é que a quantidade de informação continuará a crescer. Terabytes – que corresponde a 1024 GB – já é notícia antiga para volume de dados no mundo dos computadores. As unidades de medida agora são petabyte e zettabyte. E o crescimento é exponencial: 90% dos dados mundiais na atualidade foram criados nos últimos dois anos.

Só mais um dado (sem trocadilho): com a quantidade de informação disponível – hoje, fala-se em superabundância de informação em vez de escassez – deu-se o surgimento de inúmeras empresas, ou braços de empresas tradicionais, que tentam capturar essa quantidade absurda de dados e utilizá-los de várias formas: políticas de governo, seleção de investimento, gestão de empresas etc. A IBM, por exemplo, chegou a criar a Big Data University, um centro para fornecer conhecimento sobre o Big Data.

Nosso ponto é relacionar o Big Data ao consumidor bancário e financeiro. E se essa quantidade enorme de informações, bem articulada, pode beneficiá-lo.

Uma primeira constatação é que a análise de Big Data tem ajudado as instituições a fidelizar o consumidor bancário. Como? Segundo boa parte das instituições financeiras, é indispensável hoje entender seus clientes e antecipar às suas demandas, de maneira mais eficiente. A forma é justamente depurar o Big Data: análise maciça de informação gerada por fontes internas, registro de transações, canais de atendimento, como agências e internet, além de fontes externas, como redes sociais e aplicativos.

Uma das formas de atuação aí é melhorar as áreas de call center, de maneira que as instituições realmente entendam as demandas dos clientes e ofertem as respostas certas, com agilidade. A IBM já é parceira das principais instituições financeiras nessa área.

Mas como acho que a coisa pode funcionar aqui? A impressão geral, e da gente aqui no blog também, é que a experiência do call center é bastante negativa para a maior parte dos consumidores. Por exemplo, quantas vezes você já ficou com o seu dinheiro parado na conta, sem que alguém lhe oferecesse uma aplicação? Quantas vezes já te ofereceram um produto totalmente desnecessário? Por que o seu histórico particular não é levado a sério? (Você, por exemplo, que sabe dos riscos de emprestar seu nome). Por que o cadastro positivo no relacionamento bancário não funciona nesse sentido?

Os altos índices de reclamação contra os bancos, seja dos Procons, seja do próprio Banco Central (veja no site lista aqui – prometo no próximo post tratar deste assunto) evidenciam que a coisa não está funcionando. Pois bem. Atender aos consumidores de forma mais eficiente é justamente não deixar seu dinheiro parado, lhe oferecer o produto adequado, levando em consideração seu histórico e cadastro. O blog vai monitorar isto e conferir se a inovação vai dar resultados.

Uma outra forma de utilização é a associação do Big Data com o uso de algoritmos, em especial no mercado de capitais. Aqui a experiência já é mais efetiva, embora para um público direcionado. Inúmeras corretoras no Brasil oferecem a tecnologia de algoritmos, em variados produtos (além de papéis, câmbio, DI etc), para a escolha pela pessoa física do melhor investimento. E normalmente o uso está associado ao perfil da operação que a pessoa quer fazer, não a quanto ela tem para gastar. Aqui o Big Data tem ajudado justamente a conhecer melhor o investidor, com a oferta da operação ainda mais ajustada ao seu desejo.

Por fim, uma notícia que vem do lado da supervisão do sistema financeiro. Reportagem recente do jornal Valor dá conta, por exemplo, que o Big Data tem ajudado a SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, a detectar fraudes nas bolsas. O processamento de massa de dados no sistema, de forma bem articulada, tem permitido identificar comportamentos de agentes que sinalizam desvios e que podem caracterizar fraudes. Isto, segundo a reportagem, era praticamente impossível em uma análise tradicional. Processando os dados de forma diferente, o regulador vê coisas novas. Isto pode sim tornar o sistema mais seguro e beneficiar o investidor.

Com toda essa quantidade de informação, e que pode lhe ajudar como consumidor bancário ou como investidor, é bom ficar atento. Pode ser que hoje os bancos já tenham mais informação de você do que você imagina!

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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