Consumidor “apertado” já é mais da metade da população. Mas será isso ruim?

Consumidor “apertado” já é mais da metade da população. Mas será isso ruim?

Empresa de pesquisa evidencia que cerca de 52% da população é composta de “consumidores apertados”, aqueles com baixo nível de gastos e com perfil de consumo concentrado em itens básicos. Isso é um mau sinal?

Com a incerteza quanto ao futuro da dinâmica econômica brasileira, com possibilidade de aumento do desemprego e desaceleração da atividade em virtude de elevação de juros, o consumidor tem buscado quitar compromissos, cortar gastos supérfluos e restringido as compras no supermercado. Para manter o padrão de consumo, esses indivíduos têm gastado mais sola de sapato em busca de preços mais módicos e na impossibilidade de conseguir os bens que compravam antigamente, os substituem por marcas diferentes ou por outros bens.

Economicamente, a queda de confiança da classe média pode ser temerária, uma vez que esse extrato social é um dos motores da demanda e contribui significativamente para a atividade produtiva. Se os consumidores reduzirem a preferência por itens de maior valor agregado ou simplesmente reduzirem a demanda em geral, a tendência é redução da confiança dos empresários, da produção, do emprego, do nível de renda e consequentemente do consumo.

No entanto, do ponto de vista de educação financeira isso é um bom sinal. Esse comportamento atesta a evolução no autoconhecimento dos indivíduos que reconhecem potenciais turbulências e têm disciplina para constituir reservas e enfrentar as adversidades.

A capacidade de flexibilizar o padrão de consumo é fundamental para uma nação reduzir o tempo de superação de uma crise econômica. Os norte-americanos, que mais sofreram na crise financeira internacional de 2008, estão se recuperando mais rapidamente que os europeus, em grande medida, devido à habilidade de alterar a cesta de consumo e de ajustar o padrão de vida para condições mais restritivas.

Somente quem conhece seus gastos, consegue contingenciá-los da forma mais eficiente. A pesquisa revela que 64% da amostra de 48 milhões de domicílios afirmam que diminuem lazer fora do lar para economizar. Reparem que o lazer não necessariamente é impactado e sim a forma como ele se realiza. A qualidade de vida e o bem-estar podem ser conservados! Por que não trocar o croissant com massa folhada por frutas?

Outro ponto positivo evidenciado pela mudança dos hábitos de consumo é que os indivíduos estão amadurecendo e dando valor ao dinheiro por eles conquistado.

Esse comportamento é um forte sinal para os produtores que passarão a investir mais em tecnologia e eficiência para conseguir oferecer ao consumidor mais por menos, se quiserem vender. Por que nossos vizinhos argentinos têm carros mais avançados em termos de segurança e tecnologia e pagam mais barato que os brasileiros? Porque dão valor ao dinheiro!

Fica a dica mencionada em artigos anteriores: Menos é mais!

Autor

João Luís Resende
João Luís Resende é mestre em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais e atua na área econômica há 13 anos, com experiência na indústria bancária, energética e financeira. Neste espaço, vai apresentar estratégias de uso eficiente do dinheiro para satisfazer necessidades e desejos.

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