O que importa

O que importa

Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo
(Gilberto Gil, “Tempo Rei”)

 

Eu cuido das minhas finanças pessoais com dedicação há mais de 10 anos. Tenho uma planilha Excel com várias abas, onde controlo minha conta corrente, meus gastos em dinheiro e em cartão de crédito, meus investimentos e dívidas. E tudo isso para que? Bem, há efeitos bastante claros, emcurto e médio prazos.

No curto prazo, todo esse zelo faz com que eu não atrase pagamentos, não entre em cheque especial ou rotativo do cartão de crédito, escolha os investimentos adequados e as melhores datas para comprar. Juntando uns Reais economizados aqui e ali, isso dá um dinheirinho ao final do ano.

No médio prazo, me traz autoconhecimento, me inspira a disciplina e me permite o planejamento, pilares da boa gestão de finanças pessoais. Com isso eu posso ajustar meu padrão de consumo, fazer de forma segura os investimentos mais significativos e viver sem grandes sustos em relação ao dinheiro.

Vou mudar de assunto, para depois voltar. Num domingo recente, meu filho de 19 anos foi assaltado. Levaram a mochila, com celular, documentos, cartão de crédito e algumas roupas. Ficamos, os dois, pensando várias coisas ao mesmo tempo. Pensando que o mais importante é que não houve violência física. Pensando nos vários “se” que poderiam ter evitado o roubo.Pensando que, nesse mundo, é muito pior ser bandido do que ser vítima.Pensando no valor do prejuízo.

O prejuízo possivelmente equivale ao que eu economizo em meses de zelo com as datas de pagamentos, escolhas de investimentos, tudo aquilo que chamei de “curto prazo” no início do texto. E então? Será, portanto, que não faz sentido ter tanto zelo para economizar uns tostões, se de uma hora para outra acontece algo que me custa muito mais? É claro que faz sentido. Não apenas pela economia do curto prazo, mas, principalmente, porque esse cuidado possibilita estar mais preparado para contratempos.

Chegamos em casa, meu filho pegou o celular velho dele, com a tela quebrada, disse que iria usá-lo até providenciar outro. Eu o aconselhei a comprar outro logo, disse que o ajudaria a pagar. O melhor era consertar todas as perdas o mais rápido possível, assimilar o prejuízo financeiro, esquecer aquilo e bola pra frente.

A vida é um constante jogo de bola pra frente. O que importa em finanças pessoais é transformar dinheiro em parceiro, não em problema. É poder ter sonhos materiais e realizá-los. É não perder tempo se preocupando com problemas causados pelo descontrole nos gastos. É poder ter soluções rápidas para os imprevistos.“Viver é negócio muito perigoso”. De uma hora para outra é um roubo, um furto, uma batidinha no carro, uma máquina que estraga. A educação financeira serve para deixar todos esses problemas do tamanho que eles são: pequenos. Serve para deixar tempo, mente e alma livres para cuidar daquilo que realmente importa. Convido o leitor a pensar nisso: o que realmente importa?

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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