Prescrições financeiras: algum cuidado é sempre bom

Prescrições financeiras: algum cuidado é sempre bom

O meu amigo Frederico me encaminhou outro dia um e-mail comentando a indicação que ele recebeu sobre um livro de finanças pessoais. O livro se chama “The One-Page Financial Plan”, de Carl Richards. O autor, entre inúmeras atividades, é colunista de finanças do The New York Times. Veja aqui também o blog dele. Vale a pena!

O que acabei de fazer? Dar uma indicação de leitura, comentar um blog famoso de finanças pessoais. Recomendar a leitura porque ela me pareceu interessante e pertinente. E pode ser útil a você. Além disso, fiz isso baseado na minha consulta do livro e do blog mas, igualmente, me fiando na informação do Frederico. E como o conheço há algum tempo e suas indicações são boas e confiáveis – e eu já conferi várias vezes –, a credibilidade dele conta muito.

Mas será que deve ser sempre assim? Não, certamente não. Baseando-me em dos textos do blog do Carl Richards (aqui), precisamos sim ter cautela para acatar prescrições financeiras.

Ele apresenta um caso jocoso, mas que não deixa de ser um exemplo ilustrativo e frequente. Você está andando na rua, uma mulher se aproxima e lhe entrega um pedaço de papel, que você descobre ser uma receita médica. Como a mulher estava usando um jaleco branco, você pensa: “provavelmente ela deve ser médica”. Você vai então à farmácia e se sente seguro em utilizar a receita. Isto parece uma loucura, não é?

E quanto às prescrições financeiras? Ora, aceitamos ou, pelo menos, recebemos prescrições aleatórias o tempo todo. Uma infinidade de reportagens em jornais, informação espalhada pela internet, publicidade das instituições financeiras, etc. São exemplos da mulher de jaleco branco. E mesmo assim ainda temos uma significativa desinformação financeira e, principalmente, o mau uso da informação.  E parto da ideia de que boa parte dos conselhos são legítimos e bem intencionados.

Por que não seguimos um padrão diferente nas receitas da nossa vida financeira? A minha sugestão, como a do Carl Richards, é que não paramos, com cautela e paciência, para fazer as perguntas que mostram como é a nossa vida financeira e seus eventuais problemas. Não nos preocupamos com o diagnóstico. E, olhe, que isto acontece também com a nossa saúde física e mental. Pegamos a primeira receita para solucionar os nossos problemas. Talvez a gente tenha também um pouco de medo ou vergonha do diagnóstico.

Mas não tem outro jeito. Para uma boa prescrição é indispensável um bom diagnóstico. Fazer as perguntas que revelem a nossa saúde financeira. Por que o dinheiro é importante para nós? O que melhor descreve minha dificuldade financeira atual? O que quero fazer ou qual é o meu objetivo com o dinheiro? Como chegar ao meu objetivo?

As respostas podem ser surpreendentes. E o próprio blog – com base nessa simples ideia – tem se esmerado em tentar antes entender a situação financeira dos que solicitam ajuda para só depois sugerir algum tipo de aconselhamento financeiro. O Gerente Responde (da última semana, inclusive) é prova disso!

Se parece loucura usar uma receita médica sem que o médico te faça perguntas antes (para fazer um bom diagnóstico), por que isto também não pode lhe soar bem natural para a sua saúde financeira? Atenção: prescrições aleatórias podem trazer inúmeros efeitos colaterais. É isso!

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

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