Os hábitos que não fazem o monge

Os hábitos que não fazem o monge

Quem não tem um ou outro hábito inapropriado na vida que atire a primeira pedra. Cada um de nós tem lá os seus, com os quais convive – e de certa forma sofre – regularmente. Tá viciadinho no Candy Crush? Não consegue ficar mais de meia hora sem dar uma sapeada nas redes sociais pra ver o que tá acontecendo? Não consegue parar de roer unha? Não se culpe, isso acontece nas melhores famílias. De todos esses maus hábitos cotidianos, há uma parte deles que é relacionada com o modo como lidamos com nosso dinheiro, e é sobre eles que quero falar hoje. Pra facilitar, fiz uma listinha de alguns daqueles que deveríamos evitar quando se trata de cuidar do nosso bolso:

1.      Comprar lanches todos os dias no trabalho/escola

É claro que usar a lanchonete do trabalho/escola é bem mais fácil do que fazer a matula diariamente com frutas, iogurtes, sanduichinhos. Não menos óbvio, é mais gostoso comer o pão de queijo recém-saído do forno da lanchonete do que a maçã ou o iogurte desnatado que você trouxe de casa. Afora as questões nutricionais, sobre as quais não vou entrar no mérito, é muito mais cômodo – e potencialmente mais gostoso – comprar o lanche ao invés de levá-lo de casa.

Um exemplo: um pão de queijo e um suco de laranja pequeno saem por uns R$6,00 na lanchonete daqui do trabalho. Uma fruta e dois ou três biscoitos trazidos de casa cumprem o mesmo objetivo nutricional e saem por um terço do preço, se muito. Convenhamos, usar a lanchonete vez ou outra não vai abrir um fosso no seu bolso. Mas fazer disso uma prática comum pode sim atrapalhar suas finanças (já falamos aqui o quanto tem sido caro lanchar fora de casa). Então podemos combinar que essa visita à lanchonete vai ser bem de vez em quando?

2.      Evitar de obter a oferta de serviços que case com sua necessidade

Pagar suas contas de serviços em dia é um ótimo hábito, mas pagar mais do que deveria definitivamente não é. Muita gente possui pacotes de TV a cabo ou internet que oferecem muito mais do que se realmente consome (também já falamos sobre isso aqui). Se você trabalha o dia todo, chega em casa cansado e, quando tem vontade de assistir a um filme, dorme no meio dele, pra quê canais de cinema à vontade?  Paga caro pelo pacote do Brasileirão, mas mal mal consegue ver o jogo do seu time? Que tal revisar seu consumo e encontrar um pacote que realmente se adeque às suas necessidades? Aposto que você conseguirá encolher um pouco seus gastos fazendo esse pequeno esforço.

3.      Tratar todas as dívidas igualmente

Se você está pendurado em dívidas, pare, respire e analise: quais dessas dívidas são as mais caras? Quais delas você paga mais juros? Coloque todas as dívidas enfileiradas e fique livre das mais caras primeiro. Não dá pra achar que todas têm a mesma ordem de prioridade de pagamento: primeiro, as primeiras coisas! Estabelecer prioridades é um bom começo pra sair do buraco das dívidas, nem que você precise ir lá tomar um café com seu gerente pra ver um jeito de renegociar essas dívidas e diminuir suas prestações. Em ordem decrescente de custo, comece limando o cartão de crédito rotativo e o cheque especial, as modalidades campeãs de juros desde sempre. Depois, liquide as faturas do cartão de crédito parcelado com juros e, por fim, do crédito pessoal não consignado. Se você conseguir ficar livre dessas quatro modalidades, já sentirá um alívio enorme!

4.      Pular de cabeça no rotativo do cartão de crédito

A dica de cima tem tudo a ver com essa: o rotativo do cartão de crédito é uma das armadilhas mais perigosas em que você pode entrar: é muito fácil cair nela e muito difícil sair dela! Um pecado mortal digno de excomunhão. Os juros dessa modalidade de crédito são os mais caros do planeta (falamos disso no rádio nesta semana, ouça aqui). A saída é parecida com a dica 3: renegocie, tome um crédito pessoal para refinanciar essa conta (se possível um consignado). E tranque a carteira nos meses seguintes pra reduzir seus gastos e dar conta de pagar essa dívida, sem perder de vista que rotativo, nunca mais!

5.      Gastar por conta nas férias

Férias são para serem bem aproveitadas, porque afinal todo mundo merece um bom descanso depois de um ano inteiro de trabalho ou estudo. Mas aproveitar bastante não significa gastar os tubos e ficar apertado o resto do ano. Na medida do possível, pesquise quais as épocas de alta temporada e evite viajar nesses períodos. Procure alternativas mais baratas de hospedagem. Há várias pousadas que são bem honestas e bem mais em conta que os hotéis tradicionais (já falamos disso aqui). E mais: em tempos de dólar nas alturas, se você evitar ir pro exterior, seu bolso agradecerá. O Brasil tem inúmeras oportunidades para você desfrutar de suas férias sem cometer um atentado ao seu bolso.

6. Deixar sua poupança por último na fila dos gastos mensais

É muito comum pagar todas as suas obrigações mensais primeiro para só depois ver o quanto sobrou e guardar o seu dinheiro (já falamos disso aqui). Ora, a sua poupança também é uma obrigação, sua para com você mesmo. Então, faça suas contas, seu orçamento e veja o quanto acha que consegue poupar todo mês. E faça isso logo que receber seu salário; não espere até o final do mês, pois gastos extras vão aparecer do nada e você, sem perceber, acabará deixando de cumprir essa sua obrigação mensal tão importante.

7. Se esquecer de reajustar as contribuições para a aposentadoria

Para aqueles que contribuem periodicamente para um plano de previdência, é muito comum definir um valor mensal no início e se esquecer de reajustá-lo com o tempo. Aumentos de renda costumam vir desacompanhados de aumento das contribuições. De vez em quando, uma vez por ano que seja, lembre-se de reavaliar suas contribuições para seu plano de previdência, pois você pode estar pagando proporcionalmente menos, o que reduzirá suas retiradas no futuro. Além disso, você deixa escapar o benefício tributário de contribuir até o limite de 12% da Renda Bruta Tributável. O ideal, neste caso, é fixar o percentual, e não o valor absoluto.

8. Sair pra jantar comprometendo seu orçamento

Muita gente tem o hábito de botar o papo em dia com os amigos que não vê há tempos – e mesmo aqueles que são vistos com mais frequência – num jantar fora de casa. A comida fora de casa está bem salgada ultimamente, não é? Então, por que você não opta por sair pra tomar um café? Melhor ainda: compre as bebidas de preferência da sua turma, convide-a para ir à sua casa e levar os belisquetes. Fica mais em conta para todos, evita o sobrepreço de comer em restaurantes nestes tempos bicudos e sobretudo atende ao mais importante: atualizar o papo.

9. Pagar o preço de compras de última hora de datas comemorativas

Maio e dezembro vêm sempre na mesma época, ano após ano. Muita gente deixa pra comprar os presentes na véspera do Dia das Mães ou do Natal, justamente quando eles estão mais caros. Evite aqueles ofertões de “tudo pela metade do dobro” que o comércio costuma oferecer nestas datas, aproveite os descontos ao longo de todo o ano pra comprá-los. Uma outra estratégia interessante é se planejar: faça uma lista dos presentes que você costumeiramente compra todo ano: de aniversário, Natal, bodas e outras datas especiais, tudo mesmo. Anote também o quanto você costuma gastar com cada presente. Além de permitir que você tenha uma ideia desse gasto – aposto que você vai se surpreender! –, ela lhe ajudará a se planejar, a guardar dinheiro na “entressafra” para usar naqueles meses em que seu orçamento de presentes costuma estourar.

Faça uma reflexão: quais desses hábitos você não tem no seu cotidiano com seu dinheiro? De quais deles você consegue se livrar? Ao evitar boa parte desses hábitos indesejáveis, tenho certeza de que você conseguirá dar uma boa aliviada no seu orçamento. Nada mal, ainda mais neste cenário de chuvas e trovoadas, não?

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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