O que a internet tem a ver com o seu dinheiro?

O que a internet tem a ver com o seu dinheiro?

O que a internet tem a ver com o seu dinheiro? Hoje, ainda pouco. No sentido de poder administrar seu dinheiro, para fazer investimentos, ou de permitir transferências de recursos sem que você necessite do sistema financeiro tradicional, de bancos, para dizer claramente. Mas a velocidade da mudança tecnológica é assustadora e vale a pena conhecer o que já começa a ser oferecido e quais são as promessas para um futuro próximo, não?

O primeiro dado é uma baita constatação: a internet, com o Google, o Facebook e a Amazon, para ficar nos exemplos mais significativos, revolucionaram a indústria da música, dos livros, dos jornais, dos supermercados, e mais recentemente dos táxis. Por que não poderiam ameaçar os bancos nos seus serviços e na gestão de ativos?

Segundo dado é responder à pergunta: o que a internet poderia fazer? Em uma resposta objetiva e simples: eliminar intermediários. Quando pequenos poupadores, como você, procuram consultorias financeiras ou bancos com planos de economia para a velhice, estes indicam, por exemplo, o aporte de recursos em fundos de previdência. Os fundos, por sua vez, realizam a gestão dos ativos aplicando no mercado financeiro em inúmeros papéis, de renda fixa ou variável. Há aqui uma nova gestão dos recursos. No final das contas, os intermediários “precisam” ser remunerados, por comissões. Isto desperdiça recursos! Veja: mesmo no caso do Tesouro “Direto”, que é um bom investimento, já falado aqui no blog, você precisa de um intermediário – com uma conta aberta – para negociar os títulos públicos. A ideia é eliminar ou reduzir isto.

Vamos aos exemplos. O mais intuitivo é fazer operações de transferência de recursos sem usar o sistema tradicional dos bancos. Desde março de 2015, o Facebook já permite aos usuários americanos transferir dinheiro como se envia uma foto ou texto pela rede social. Basta associar seu cartão de débito à sua conta no Facebook, clicar em um dólar sinalizado no aplicativo, colocar a quantia e enviar. “Ainda” que o relacionamento bancário seja indispensável, você transfere o dinheiro, nesse exemplo, já sem usar o banco. Não demora a chegar ao Brasil!

O Gmail, serviço de mensagens eletrônicas do Google, já permite fazer o mesmo no Reino Unido. E outro aplicativo, chamado “Snapchat”, que permite trocar fotos instantâneas, também oferece o serviço, com o sugestivo nome de “Snapcash”. O iPhone 6, da Apple, também já vem integrado com um sistema de pagamento automático. Basta aproximar o telefone de um leitor de transação e o equipamento faz o reconhecimento da impressão digital registrada no aparelho.

Se isto lhe parece ainda muito distante, não se assuste. Essa realidade pode mudar muito rápido e te surpreender. Começa com a simples transferência de recursos, mas pode chegar também à administração do seu dinheiro. Se os gigantes da internet conseguirem bolar alternativas para eliminar intermediários financeiros, pode ter certeza, eles irão para a briga.

Obviamente, isto ainda está longe do grande público, como você leitor do blog. Mas pode apostar que as barreiras psicológicas irão cair. Há quinze anos o comércio eletrônico não era uma realidade para a maioria das pessoas. Hoje é! E, no mundo das redes virtuais, te pergunto: quem hoje sabe mais da sua vida pessoal, quando você vai querer ter um filho, ou da sua vida financeira e de suas dívidas, o seu banco ou o Google e o Facebook?

Autor

Leandro Novais
Leandro Novais é professor adjunto de Direito Econômico na UFMG. Em seu espaço, pretende aliar um pouco de direito, inovação e economia, além de uma pitada de economia comportamental, para ajudar o leitor na sua compreensão econômica e nas suas escolhas financeiras. Seu lema: "o mundo a partir das escolhas de cada um". Escreve semanalmente, às segundas-feiras.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *