Cooperativas de crédito

Cooperativas de crédito

“Uma mão
Lava outra mão, lava uma mão
Lava outra mão
Lava uma”
(Arnaldo Antunes, “Lavar as mãos”)

 

Você sabe o que são cooperativas de crédito? Já falamos sobre isso aqui no blog, em um podcast e em um texto, mas resolvi voltar ao tema. Cooperativas de crédito são instituições financeiras que, na prática, funcionam de forma muito semelhante aos bancos, sob o ponto de vista do usuário dos serviços. Mas têm umas diferenças importantes.

Numa cooperativa, o usuário não se chama cliente, e sim cooperado. Isto porque, para tornar-se usuário dos serviços, é preciso filiar-se à instituição. Isto é, tornar-se dono do negócio. Então, ele investe uma pequena quantia – geralmente menos de R$ 100 – em cotas de capital, passa a ser um dos sócios e pode usar os serviços.

Quais as vantagens disso? Algumas. Em primeiro lugar, as cooperativas – não só as de crédito – são instituições que não visam lucro, e, sim, a prestação de serviços aos seus cooperados. Vamos fazer uma comparação. Um banco é uma empresa, visa lucro e, por isso, vai tentar vender serviços pelo preço mais alto que conseguir e pagar pelas aplicações o rendimento mais baixo possível. O que limita a sanha dos bancos são a concorrência e a legislação, e não um interesse no bem estar do cliente.

Já a cooperativa, em princípio, visa primeiro o bem estar do cooperado. Ela tende a procurar ter um lucro – que, aliás, no cooperativismo, chama-se sobra – suficiente apenas para se manter sustentável e segura. Além disso, caso a sobra seja volumosa, muitas cooperativas optam por distribui-la entre os cooperados.

Outra diferença importante é que o cooperado participa das decisões quanto ao rumo da cooperativa, diretamente, ou por representantes que ele ajuda a eleger. Em muitos casos, a instituição atua em uma área geográfica reduzida, o que faz com que os benefícios da atuação fiquem na sua própria comunidade, e o cooperado tem participação direta nisso.

Algumas alterações importantes têm ocorrido na legislação do setor. Uma novidade interessante é a recente criação do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito – FGCoop. Assim como o FGC, dos bancos, o FGCoop vai garantir os depósitos dos cooperados, em caso de falência da cooperativa. Isso vai dar ainda mais segurança para o segmento, e ajuda-lo a crescer e se fortalecer.

A cooperativa à qual sou filiado não oferece conta corrente. Sendo assim, eu tenho uma conta em um banco comercial, para usar cheques, cartão de débito, transferências e outros serviços, e uso a cooperativa apenas para aplicações e empréstimos, que têm taxas bem melhores que as do meu banco.

No Brasil, há mais de 1.000 cooperativas de crédito, que prestam seus serviços por meio de mais de 4000 postos de atendimento próprios e 3000 correspondentes. Estão presentes em praticamente metade dos municípios brasileiros. Existem cooperativas de vários perfis e portes, que prestam diferentes serviços e têm diferentes regulamentos. Algumas oferecem conta corrente, com talão de cheques, outras não. Algumas aceitam aplicações, outras não. E, importante, algumas são bem administradas, outras não.

Eu sugiro ao leitor que procure saber se há cooperativas em sua cidade que possam recebê-lo como cooperado. Se houver, procure saber mais sobre elas, seus serviços, sua situação. Pode ser uma ótima opção para seus serviços financeiros. Se precisar de ajuda na pesquisa, fale conosco.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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