Como se defender da escalada de preços? – Parte 2

Como se defender da escalada de preços? – Parte 2

Em post anterior, sugeri medidas para evitar gastos desnecessários em um ambiente de elevação de preços. A publicação orientava a um consumo consciente, mas o que fazer para que os recursos poupados e o patrimônio não se desmanchem devido à inflação?

A inflação é caracterizada por uma alta generalizada de preços e as pessoas são afetadas diferentemente, de acordo com a cesta e os padrões de consumo que têm . Por isso existem diferentes índices de preços definidos por instituições. O índice que corrige os imóveis na planta (Índice Nacional da Construção Civil – INCC) é diferente do índice comumente utilizado para correção dos aluguéis (Índice Geral de Preços do Mercado – IGP-m), o qual também diverge do índice oficial de inflação (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A composição de bens e serviços que compõem cada índice varia, assim como nosso perfil de consumo ao longo do tempo. Para as pessoas em idade ativa, é de se esperar que grande parte da renda venha do trabalho, ao passo que há expectativa de que grande parte dos rendimentos dos aposentados seja oriunda de retornos sobre um patrimônio previamente poupado.

Os hábitos de consumo também tendem a se diferenciar ao longo do tempo, com maior concentração em alimentação e educação nas fases iniciais da vida e maior gasto com saúde e diversão nas fases posteriores.

Para garantir o consumo futuro com renda oriunda do patrimônio é fundamental que os recursos poupados não sejam corroídos pela inflação e por isso recomenda-se a aplicação em investimentos que pelo menos a superem para obter o que os financistas chamam de ganho real (rendimento maior que inflação).

Uma forma de investimento simples e sem risco é a aquisição de títulos públicos que tenham seu rendimento atrelado à inflação, como o caso do “Tesouro IPCA+ 2019”, que rende uma taxa de juros equivalente ao IPCA mais um percentual pré-definido até o vencimento do título em 2019. Caso você vá aposentar mais tarde ou não precise de todo o dinheiro em 2019, há opções de prazos mais longos como 2024 e 2035, entre outros.

Pode-se investir em bens que costumam se valorizar em períodos inflacionários, como os imóveis, que tendem a ser melhor avaliados justamente por serem um investimento duradouro e mais sólido. Outra opção é a aplicação em fundos imobiliários que têm seus rendimentos oriundos dos aluguéis, os quais são corrigidos pela inflação.

Independentemente da escolha, é bom ter em mente que a inflação reduz a quantidade de bens e serviços que seu dinheiro poderá comprar e a proteção é necessária.

Em alusão à fábula da formiga e da cigarra, é necessário que a poupança feita pela formiga durante o verão seja bem guardada para que não desapareça e ela não fique com fome no inverno.

Autor

João Luís Resende
João Luís Resende é mestre em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais e atua na área econômica há 13 anos, com experiência na indústria bancária, energética e financeira. Neste espaço, vai apresentar estratégias de uso eficiente do dinheiro para satisfazer necessidades e desejos.

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