Servindo a própria mesa

Servindo a própria mesa

“Na hora do almoço a minha fome é de leão.
Abro a marmita e o que vejo? Feijão!”
(Magazine, “Eu sou boy”)

 

Quem mora em centros urbanos e trabalha fora geralmente não consegue almoçar e lanchar em casa. As distâncias, o trânsito e o pouco tempo não dão esta opção. Aos finais de semana, é comum que famílias que não têm tempo de se reunir nos dias úteis aproveitem a hora do almoço para, finalmente, estarem todos juntos. E, muitas vezes, vão a um restaurante. De preferência, um que agrade a todos, pelo ambiente e pela comida.

Para muitas pessoas a alimentação fora de casa é um item importante do orçamento familiar. Aliás, o índice de inflação para esse tipo de serviço é maior que o índice geral de inflação. E então? O que pode ser feito, caso esses custos estejam pesando demais no bolso? A resposta vem logo: preparar o próprio alimento. E aí vem outra pergunta: compensa?

Alimentar-se é uma necessidade, claro. É abastecer o corpo de combustível. Mas é bem mais que isso. A refeição é também um momento de pausa nas rotinas do dia e da semana, de descanso, de socialização e, importante, de prazer. Comer algo de que se goste é uma recompensa por essa correria a que nos submetemos. Tudo isso deve ser levado em conta na hora de decidir se vale a pena preparar alimento em casa.

Fiz uns breves cálculos, baseados na minha rotina. No meu local de trabalho há uma lanchonete. Nela, um misto quente e um suco de laranja pequeno saem a R$ 6,00. Em um dos andares do prédio há uma sanduicheira e um espremedor de frutas. Se a pessoa trouxer de casa os ingredientes, consegue preparar o mesmo lanche por menos de R$ 3,00. Para quem lancha 20 vezes por mês, é uma economia de R$ 60,00.

Frutas são ótimas opções para lanche. Saborosas, saudáveis e práticas. Geralmente uma fruta comum custa menos de R$1,00 – ou um pouco mais, dependendo da fruta e da época.

Tem gente que não fica sem café. Aqui no meu trabalho ele não é dos melhores, então a turma arrumou uma máquina de café espresso. A cápsula mais barata sai a R$ 1,60. Quem toma dois por dia gasta mais de R$ 60,00 por mês só com café no trabalho. Um colega arranjou um coadorzinho de pano, com um suporte – aliás, muito bacana, comprei um para minha casa por R$ 8,00. Fiz as contas. Dois cafés por dia, no coador de pano, saem por menos de R$10,00 por mês.

E o almoço? Aí as opções já variam muito. Eu gosto de cozinhar em casa, então calculei o custo de refeições simples que costumo preparar, para três pessoas. Strogonoff de frango, com arroz e batata palha sai a R$ 14,00. Uma carne moída assada, com arroz e purê, R$ 17,00. Macarronada a bolonhesa, R$ 10,00. E esses pratos podem ser transportados e aquecidos em micro-ondas, na copa do local de trabalho.

É claro que todos esses cálculos são muito específicos. Tudo depende das marcas, do supermercado e da forma de preparar. E cabe repetir que alimentar-se é mais que abastecer o corpo. É importante ter prazer. Se a pessoa acha fundamental que o café seja espresso, o coador não vai resolver. Se a pessoa cozinha mal, levar marmita para o trabalho será uma tortura. Se a vizinhança tem bons restaurantes, no preço, na qualidade e na variedade, talvez a economia não vá compensar. Se a turma do almoço é divertida, isso alimenta a alma.

Então, vale a pena refletir e, se for o caso, modificar os hábitos. Já falamos sobre isso no blog, como aqui e aqui. Pense nisso.

Ilustração: Stefan/UOL

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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