Páscoa e os hábitos de consumo

Páscoa e os hábitos de consumo

 “I heard about the easter bunny presents under a Christimas tree
It was dreaming and fantasy, there was no mom or daddy
I wanted everything”
(Ramones, “I wanted everything”)

 

 

Agora que o carnaval passou, o mote do consumo é a páscoa. Como acontece em todos os anos, estabelecimentos comerciais ficam cheios de ovos, coelhos e afins. A cada ano as campanhas ficam mais intensas. Este ano, antes mesmo do carnaval, vi produtos de páscoa em um supermercado.

Os preços de ovos de páscoa costumam assustar muita gente. Se considerarmos apenas o chamado valor intrínseco, isto é, os custos do chocolate e do brinquedinho que vem junto, é mesmo assustador. Fiz uma rápida pesquisa pela internet, apenas para ter uma ideia. Encontrei um ovo Lacta Hot Wheels, de 170 gramas, com preço variando entre R$ 21 e R$ 30. No mesmo site, uma barra do mesmo chocolate, também de 170 gramas, sai por R$ 5. Mesmo se levarmos em conta que o ovo de páscoa dá mais trabalho para ser feito e embalado e vem com um carrinho Hot Wheels, a diferença de preço ainda é muito grande.

Mas é claro que ovo de páscoa não é simplesmente chocolate com brinquedo. É um artigo carregado de simbolismo, e é isso que explica seu preço. A páscoa é quando se lembra da ressurreição de Cristo, e o ovo simboliza a vida nova. Daí nasceu a tradição. Dar ovos na páscoa significa, originalmente, celebrar a ressurreição e, assim, desejar e comemorar a renovação da vida. Originalmente. O que se vê atualmente é uma festa muito mais de consumo do que de espiritualidade.

Uma parte importante das nossas vidas acontece no plano simbólico. Nem só de pão vive o homem. Portanto, não vou sugerir que o leitor dê ao seu filho uma barra de chocolate e um carrinho Hot Wheels, em vez de um ovo de páscoa, para economizar uns R$ 10 ou R$ 20. Para a criança certamente não vai ser a mesma coisa, e para o pai essa economia talvez não signifique muito. Vou sugerir ao leitor apenas que pense no assunto.

O que significa a páscoa para você? E para seu filho – ou namorado, esposa, sobrinha? Até que ponto você realmente curte o simbolismo do ovo de páscoa e até que ponto você está simplesmente se rendendo à moda? Você vai ficar realmente feliz em presentear sua filha, ou está fazendo isso apenas porque ela ficaria chateada em não ganhar presente, enquanto os coleguinhas ganham?

Não tenho nada contra presentear em datas comemorativas. Mas quero convidar o leitor a se permitir fazer algo diferente da convenção social, caso ele queira ou precise. Aliás, isso já foi falado aqui no blog.

O que pode ser feito, então, para vivenciar o simbolismo sem aderir ao consumismo e sem gastar muito dinheiro, ou gastá-lo melhor? Hoje em dia é possível, por exemplo, encontrar belos e saborosos ovos artesanais, feitos em casa ou em pequenas fábricas. Frequentemente, feitos com o mesmo chocolate das marcas famosas e caras. Já procurou na sua vizinhança?

Uma família numerosa pode celebrar a espiritualidade da páscoa com uma bela sobremesa no almoço de domingo. Se as crianças participarem da preparação da sobremesa, melhor ainda. Mais prazeroso e inesquecível do que cada uma devorar seu ovo e curtir seu brinquedinho por alguns dias, e depois deixá-lo jogado. Além de sair mais barato.

Algumas vezes eu já presenteei, na páscoa, com livro, brinquedo ou enfeite, em vez de chocolate. Pode ser mais saudável, memorável e – adivinhe – mais barato.

Que tal pensar nisso? Pode fazer bem para o bolso e, principalmente, para a alma.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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