Os opostos se atraem e sobressaem

Os opostos se atraem e sobressaem

Em um almoço com um querido amigo, entre uma porção de camarão e um suco de morango com lichia, teve início uma conversa que me despertou para o tema do post de hoje. Os momentos de descontração podem ser ótimas oportunidades de trocas de experiência de vida e começamos o debate sobre a Educação Financeira vivenciada pelos seus pais e que mais tarde foi transmitida a ele.

O primeiro relato do amigo foi sobre o pai, nas palavras dele, “um homem de origem simples que foi privado de algumas coisas na infância, sempre batalhador, que construiu seu patrimônio com o próprio esforço, dedicação e metas bem definidas”.

A mãe, por outro lado, teve uma origem mais agraciada. Veio de uma família com boas condições, estudou desde nova e aprendeu o valor do dinheiro em casa.

O exemplo que ele deu foi o seguinte: depois de muito trabalhar e construir o próprio patrimônio, hoje seu pai vive uma realidade financeira mais tranquila e ele quer, nesta fase da vida, desfrutar sem se preocupar. Se ele viaja e há algo que ele queira comer ou beber, não importa o valor deste produto. Ele quer, ele adquire.

A mãe, por outro lado, sempre pensa antes de adquirir qualquer coisa e só adquire se achar que o custo-benefício esteja de acordo com o produto oferecido, ela não compra algo que vale mais do que o real valor do produto, independentemente do que for e de qual marca for.

Eles também são diferentes em algumas outras coisas. A mãe dele gosta de boas coisas no lar e para ela, já o pai gosta que suas coisas durem até acabar, não acha necessário ter muitas peças de roupa ou variadas coisas em exagero. Assim, ele não mede esforços na degustação de boas comidas, em boas viagens com a família, mas para ele mesmo não vê a necessidade de muitos gastos.

Sob essas diferenças, foram criados quatro filhos em harmonia e com pinceladas de cada um dos pais, formando as bases, conceitos para a vida e equilibrando a formação em relação ao dinheiro.

Hoje, esse meu amigo se relaciona com o dinheiro com a prudência e planejamento da mãe e o esforço e dedicação do pai. Ele trabalha na área que escolheu e se organiza de forma a controlar quanto e com o que gasta seu dinheiro. Ao ser indagado se ele relaciona tudo que gasta detalhadamente, explicou-me que não. Diz que separa de forma bem definida: poupança pessoal, compromissos mensais, lazer, viagens e outras demandas pessoais.

Pais com histórias tão diferentes ofereceram sua própria experiência na formação dos filhos e estes não estão expostos a uma emergência financeira ou a uma eventualidade, pois possuem uma reserva que eles mesmos construíram e podem se resguardar. Os opostos se atraíram e construíram uma família consciente em relação ao consumo e ao bom uso do próprio dinheiro.

Autor

Lívia Senna
Lívia Senna é mestre em Gestão e Administração Educacional pela Universidade de Coimbra, em Portugal, e pedagoga graduada pela UFMG. Atua na área de Educação Básica e Ensino Fundamental há 12 anos. Educadora também na área de graduação, concentra seus estudos e pesquisas na área de Educação Financeira para Educação Infantil e Formação de Professores.

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