O mar não está pra peixe!

O mar não está pra peixe!

O ano já começou de ressaca no mercado financeiro. As tendências de desaceleração continuam fortes: a carteira de crédito dos bancos deve crescer no mesmo ritmo fraco do ano passado, ou menos ainda, tendo em vista as projeções econômicas ruins: baixo crescimento do PIB, elevação das taxas de juros pra conter uma inflação persistentemente alta, perspectivas de elevação, ainda que modesta do desemprego, baixo desempenho das contas externas.

Além disso, as contas públicas estão em maus lençóis, em razão do resultado do governo repetidamente negativo nos últimos meses. Ao que parece, a equipe econômica que acaba de tomar posse vai ter que apertar os cintos, com cortes de despesas e também com aumentos de impostos, que devem vir por aí pra ajudar no reequilíbrio das contas do governo.

O desânimo deve se arrastar certamente por este e, possivelmente, pelo próximo ano ainda, cenário que não é nada estimulante para os bancos. Estes devem se mexer no mínimo de três maneiras: 1) carregar a mão na cautela na hora de conceder crédito, centrando esforços no empréstimo consignado e no financiamento habitacional, modalidades de menor risco, tendo em vista as garantias; 2) elevar as taxas de juros dos empréstimos, pra compensar o maior risco de calote e também o maior custo do dinheiro com a elevação da taxa básica; e 3) aumentar as tarifas de serviços bancários, tendo em vista uma menor expectativa de resultados advindos das operações de crédito.

Também é possível colocar nessa última cumbuca preços mais salgados de seguros, taxas de administração de fundos, corretagens e outros serviços que os bancos e as empresas a eles vinculados também prestam e que não são diretamente vinculados à conta corrente. Uma coisa é certa: se os bancos estão vendo perspectivas de ganhos mais parcos numa frente de negócios, o crédito, eles certamente mexerão seus pauzinhos pra compensar isso nos oferecendo outros produtos e serviços com uma gordurinha maior que a usual. Não tem nada de errado nesse tipo de estratégia, mas, sabendo disso, você pode agir pra não pagar (ou pagar menos) essa conta.

A se confirmarem algumas dessas projeções econômicas, como o encarecimento do crédito, novas altas do dólar, encarecendo os produtos importados, e subida de impostos – incluindo aquelas relacionadas ao recém-anunciado fim de algumas desonerações tributárias –, a maré vai ficar brava.

Então fique atento e aproveite, porque a hora é agora pra você ficar independente do banco da esquina. Saia da inércia: planeje-se, reorganize sua vida financeira, renegocie seus débitos mais caros e elimine de vez gastos supérfluos – principalmente os juros do cheque especial e do cartão de crédito! –, discuta com seu gerente reduções de tarifas e outras condições melhores de negócio para você– lembre-se de que ele não é lá muito seu amigo

O outro lado dessa moeda é que as taxas que os bancos pagam para você deixar o seu dinheirinho guardado lá também devem aumentar (já falamos sobre isso aqui, lembra?). Portanto essa é uma ótima hora pra fazer essa faxina na sua vida financeira e (quem sabe?) começar a poupar. O que você está esperando?

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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