Feliz 2015

Feliz 2015

“Quero ouvir uma canção de amor que fale da minha situação.
De quem deixou a segurança do seu mundo
por amor.”
(Legião Urbana, “O mundo anda tão complicado”)

Neste mês de dezembro, tomei uma decisão importante: decidi parar de dar aulas na faculdade. Eu adoro lecionar, o público com o qual eu lidava é o de que eu mais gosto, e a disciplina que eu ministrava – Teoria da Administração – é das minhas preferidas. Mesmo assim, decidi dar um tempo.

Nesta última coluna do ano, decidi compartilhar com o leitor os caminhos que percorri para fazer essa escolha. Tem a ver com as escolhas financeiras, porque não deixa de ser uma decisão sobre investimento de recursos e recebimento de benefícios. Dar aulas me traz alguns benefícios, como dinheiro e prazer. E me consome recursos, como tempo e esforços.

Além de dar aulas, sou servidor público, com jornada de trabalho semanal de 40 horas. No segundo semestre de 2014, eu dei 12 horas de aula por semana. Portanto, trabalhava 52 horas semanais – fora o tempo gasto preparando aulas, corrigindo trabalhos e atendendo alunos. A faculdade representava 23% da minha jornada e me rendia cerca de 18% da minha renda.

Minha capacidade de poupança vinha sendo praticamente equivalente ao meu salário na faculdade. Ou seja, parar de dar aulas não comprometerá nenhuma despesa essencial, mas afetará minha poupança – o que não é pouco, já que tenho um financiamento imobiliário a quitar.

Por outro lado, o tempo investido nas aulas me impedia de fazer várias coisas. Era uma escolha consciente, porque eu realmente adorava o meu trabalho na faculdade. Abrindo mão das aulas, porém, vou poder fazer coisas também importantes.

Vou poder, por exemplo, voltar a nadar, algo de que precisei abrir mão porque estava ficando cansado. Tenho 42 anos, preciso praticar esporte, o corpo e a mente pedem.

Vou poder me dedicar a projetos de educação financeira a partir do Educando Seu Bolso. Participar de cursos, palestras, oportunidades de que precisaria abrir mão, por falta de tempo.

Vou poder estudar Administração, preparar novas disciplinas, me atualizar para, quando retornar à faculdade, voltar como um professor melhor.

Vou poder estar mais perto do meu filho que mora comigo, e que, apesar de ter 19 anos – ou justamente por isso –, requer minha companhia. E eu requeiro a dele.

Vou poder tirar férias fora do período letivo.

Vou poder viajar a serviço.

Mas tudo o que eu falei até agora é o lado racional da escolha. E agora é que começa a parte importante da coluna e que justifica seu título, “Feliz 2015”.

Na verdade, na verdade mesmo, o que me inspirou a refletir sobre tudo isso não foi racional. Ganhei um presente em dezembro. Então resolvi abrir mão de viver um amor – dar aulas – para viver outro. Resolvi, para isso, ter uma vida diferente, com mais tempo, mais saúde, menos rotina, menos pressa, mais condição de deixar o coração bater em seu próprio ritmo.

Alguns amigos fizeram seu papel de amigos e me alertaram: “Cara, você está sendo precipitado. Que garantia uma coisa tão recente te dá?”.

Absolutamente nenhuma, meus amigos. Nada na vida está sob controle. Mas nem só de garantias vivem nossas decisões. Falamos aqui no blog que seguros podem custar caro.

Vou seguir minha intuição e meu desejo, e usar minha razão apenas para cuidar, com atenção e dedicação.

Desejo a mim, aos meus e aos leitores um 2015 de muita sorte nas escolhas.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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