É hoje!

É hoje!

Nesse dia tão especial, vou me dar o direito de esquivar um pouco dos assuntos dos quais tratamos aqui regularmente pra falar de outros, não menos importantes. Hoje é dia para esquecermos um pouco das questões materiais, financeiras, mundanas, e concentrarmos na questão que de fato importa: nossa felicidade.

O Natal é a segunda data religiosa mais importante para os cristãos, depois da Páscoa. Mas o dia 25 não é unanimidade no Cristianismo: várias igrejas cristãs celebram em outros dias: as ortodoxas, no dia 7 de janeiro, em função do calendário Juliano por elas usado, ligeiramente diferente do nosso, o Gregoriano. Outros, como os espanhois, preferem comemorar no Dia de Reis, em 6 de janeiro. Para nós, é a data em que desmontamos árvore, presépio e demais decorações natalinas; para eles, dia de celebrar a Festa dos Três Reis Magos, presenteando a seus queridos, como fizeram Gaspar, Baltazar e Belchior quando visitaram o menino Jesus.

Questões religiosas à parte, é esse espírito de conviver e presentear as pessoas com quem nos importamos que perdura por séculos. Natal é tempo de se reunir com essas pessoas, de botar o papo em dia, de presenteá-las. Assim, nesse dia especial, proponho que esqueçamos um pouco do nosso bolso – até porque os gastos relativos aos presentes já foram feitos, suponho – e cuidemos um pouco mais do nosso órgão mais vital: o coração. Uma boa gestão das finanças pessoais não deveria ter outro objetivo senão a nossa felicidade, em última instância. É nela que deveríamos focar nossa atenção e nossos esforços, no final das contas, e não na gordura da nossa conta bancária.

A nossa felicidade também se encontra na do outro, ao receber um presente nosso. Não precisa ser uma Mercedinha zero km, uma joia, um tênis ou um smartphone de última geração. Uma caixa de bombons, um kit de higiene pessoal, um acessório, uma cerveja artesanal (tão em moda hoje!), qualquer coisa que faça a pessoa se sentir querida e especial pela sua lembrança está valendo. Caso tenha habilidades manuais, presenteie com algo feito em casa por você. Tanto melhor!

A felicidade se encontra sobretudo nas nossas relações pessoais, na nossa boa convivência com quem amamos e prezamos. No meu caso, se o bom velhinho repetir a dose dos últimos anos presenteando-me com uma boa saúde pra mim e pros meus filhos, bem como com a proximidade, intimidade, carinho e amizade que venho cultivando com eles e também com meus familiares e amigos, já me dou por satisfeito! O resto é resto.

Por fim, aproveitemos a data para refletirmos sobre o que realmente importa nas nossas vidas, o que nos faz felizes. Uma boa saúde. Uma boa convivência com aqueles que amamos. De preferência, com mais emoção e intuição, com mais vida. Umas pitadinhas de arte e cultura, que só fazem melhorar o gostinho da nossa jornada. Isso tudo deveria ser item de primeira necessidade no carrinho de supermercado de nossa vida. O dinheiro serve tão somente pra nos ajudar nessa busca da felicidade, e não pra substituí-la. Gerenciá-lo com um pouco de parcimônia – palavrinha especial – não faz mal a ninguém; a racionalidade econômica e financeira, por vezes maçante e entediante, espreme nosso grau de felicidade sem que nos demos conta disso. No mais, celebremos! Feliz Natal a todos!

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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