Gente que inspira a gente

Gente que inspira a gente

Foi de uma amiga outro dia, pressionada pelas contas que não tem fechado no azul nos últimos meses, que ouvi o desabafo: “Todo mundo está ganhando dinheiro, menos eu”. Ela tem um emprego, um salário razoável – apesar de não compatível com suas responsabilidade, competência, experiência e merecimento – e não é do tipo que gasta a rodo, mas tem despesas altas, em função das surpresas, às vezes não muito (ou nada…) boas que a vida nos traz. Mais do que de dinheiro, estávamos falando de projetos e ideias que já tivemos e que trariam um pouco mais de sossego financeiro, além de realização profissional, mas que, por algum motivo, acabamos deixando de lado. O resumo da ópera era: precisamos retomar esses projetos.

Quando a pessoa quer buscar um novo caminho para a vida, tem que organizar para isso. Por exemplo: se você quer deixar seu trabalho de carteira assinada para começar um negócio próprio. Não vai haver mais aquele dinheiro certo caindo na sua conta a cada quinto dia útil de mês. Então, mais do que ganhar dinheiro, é preciso saber gerenciar dinheiro – e mais: é preciso saber gerenciar tempo. Se você tem uma ideia para um novo caminho, também é preciso se arriscar.

Tem uma lanchonete no centro de Belo Horizonte que eu tento passar a léguas. Não, não é porque não gosto, é justamente o contrário. Nela, o carro-chefe é algo que eu, carinhosamente, chamo de “coxinha do demônio”. Por quê? Simplesmente porque você compra, por R$ 1, o copo cheio de mini-coxinhas e essas mini-coxinhas, meus amigos, são igual biscoito de polvilho, tatuagem e gato: você não consegue ter só um. Você pega uma, pega outra, outra e de repente lá se foi um copo, dois, três… É barato, é gostoso, é rápido, é prático. Ou seja: uma receita de sucesso.

Fiquei curiosa sobre como surgiu essa lanchonete e, pesquisando, soube que, na verdade, ela é franquia de uma rede que surgiu no Espírito Santo, em 2011, com apenas uma lojinha de menos de 100m². E que é comandada por uma jovem hoje com 25 anos, ao lado do pai e do irmão. Hoje, aos 25 anos, a jovem é símbolo de uma ideia que deu certo e de determinação e de ousadia. A rede tem quase 60 lojas espalhadas pelo Brasil, aumentou a linha de produtos, sempre na versão mini, e o faturamento já beira R$ 1 milhão mensal.

Nesta época em que, ao passo em que o ano vai se encaminhando para o fim, tendemos a traçar metas e fazer promessas para o novo ano, a história das mini-coxinhas é uma inspiração de como, com organização, criatividade e trabalho, ideias podem, sim, mudar a vida da gente. E uma boa ideia a gente sempre tem, né? Que tal aproveitar que um ano novinho está batendo à porta e resgatar aquele projeto do fundo da gaveta?

Autor

Liliane Pelegrini é jornalista e neste espaço pretende trazer um pouco da experiência do consumidor que ainda precisa aprender a lidar com o próprio dinheiro.

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