Novas modalidades de pagamento

Novas modalidades de pagamento

 “A civilização se tornou tão complicada
que ficou tão frágil como um computador”
(Raul Seixas, “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”)

 

Imagine que você está, em uma bela manhã, no trânsito, esperando o sinal abrir. De repente, vem um vendedor ambulante lhe oferecer palhetas para o limpador de para-brisa. “Bem que eu estou precisando trocar as minhas”, você responde, “mas estou sem dinheiro vivo agora”. Nisso, o vendedor te surpreende: “Eu tenho a máquina de cartão de crédito”. Aí, em questão de segundos, você paga, ele instala, o sinal se abre e a vida segue, os dois satisfeitos com o negócio.

Essa cena tende a tornar-se cada vez mais comum. Essa e muitas outras, difíceis de se imaginar até pouco tempo atrás. A evolução da tecnologia, a criatividade dos empresários e a modernização das normas que regem o sistema financeiro fazem os meios de pagamento ficarem não apenas mais variados, como também mais acessíveis.

Como isso afeta a nossa vida cotidiana? De muitas formas, claro. Uma delas é a praticidade. O consumidor precisa e quer comprar, mas não tem o dinheiro vivo. Com a modernização e popularização das máquinas de cartão, vai poder comprar em muito mais locais e oportunidades. O risco disso: se a pessoa não tiver disciplina, acaba fazendo compras por impulso. Bons vendedores saberão usar o pouco tempo de um sinal de trânsito, por exemplo, para fazer uma propaganda eficiente, “não perca essa oportunidade, pense rápido, o sinal vai abrir”, e aí, pá!, a pessoa compra sem precisar e, pior, sem poder.

Outra consequência da modernização é a chamada inclusão financeira. Pessoas que não têm conta em banco agora podem utilizar serviços bancários, por meio das chamadas contas de pagamento. Suponha que você precise pagar seu jardineiro, que não tem conta em banco. Você poderá transferir o dinheiro da sua conta bancária para ele, que poderá sacar em um caixa eletrônico usando um código que será enviado para o celular dele. Fiz uma rápida pesquisa e acho que, por enquanto, apenas o Banco do Brasil tem oferecido essa modalidade. Percebi também que há reclamações quanto ao serviço, nos sites de defesa do consumidor. Portanto, cuidado.

A inclusão ocorre também na forma descrita na cena do vendedor de palhetas. Pequenos fornecedores agora podem oferecer novas modalidades de pagamento aos seus clientes. Desde as máquinas tradicionais, até umas novas engenhocas que se acoplam a celulares, que, assim, tornam-se terminais de cartões. Além disso, pequenos lojistas podem vender via internet utilizando serviços como o Pag Seguro, que dispensam grandes investimentos em tecnologia.

Muitos outros serviços ainda vão surgir. E, como o Brasil não é um país para principiantes, convém tomar cuidado. Devemos sempre ficar atentos às oportunidades de tornar nossa vida mais prática e barata, mas não podemos deixar de desconfiar daquilo que parece muito barato ou vantajoso. Até mesmo empresas não financeiras são autorizadas a participar do mercado desses novos serviços – chamados de arranjos de pagamento. Isto é, a tendência é a de que haja muita gente oferecendo serviços, muita concorrência, entre empresas de todos os tamanhos e procedências. Vale a regra de qualquer tipo de negócio, desde o tempo de nossos avós: procure se informar, ler contratos, conversar com pessoas experientes. Não deixar de aproveitar a modernidade, mas, também, não deixar de tomar cuidado.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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