Copom e você: tudo a ver

Copom e você: tudo a ver

Nesta semana, vou me permitir fugir um pouquinho das finanças pessoais para tratar de um assunto mais econômico, mas que tem tudo a ver com a nossa vida financeira. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa Selic em 0,5 p.p., de 11,25% para 11,75% ao ano. Muita gente se pergunta: política monetária, taxa básica de juros, taxa Selic, meta de inflação… mas o que é que essas coisas têm a ver com a minha vida? Têm tudo a ver! Bom, vamos tentar explicar isso tintim por tintim, evitando ao máximo o economês.

A principal decisão que o Copom toma periodicamente é sobre o que fazer com a taxa de juros da economia. Taxas de juros mais altas produzem diversos reflexos: primeiramente, a disposição das pessoas e empresas para poupar costuma aumentar. Claro, afinal juros mais altos representam prêmios maiores pela paciência, aquela que a gente se esforça tanto pra ter na hora de poupar e adiar o consumo. Receber um prêmio de, digamos, 8% ao ano pra poupar uma graninha é uma coisa; receber 11% (considerando o mesmo nível de risco da aplicação) já fica bem mais interessante!

O outro lado dessa mesma moeda é que o crédito encarece e, com isso, muita gente que estava pensando em comprar algo com a ajuda de um novo empréstimo acaba adiando essa decisão pra evitar pagar mais juros. Nas empresas, empréstimos programados para financiar o aumento da capacidade produtiva, por exemplo, são repensados ou adiados, tendo em vista tanto o custo mais alto do financiamento como as perspectivas de menor procura por parte de seus clientes.

Assim, a alta dos juros contribui para que a economia “desacelere os motores”. Diminui a procura por bens e serviços, o que faz com que alguns preços caiam, outros parem de subir ou mesmo subam menos fortemente, tanto em função de uma maior propensão a poupar como pela menor propensão a (tomar crédito e) consumir.

E é isso mesmo que o BC procura controlar quando aumenta os juros: a alta de preços. Desde 1999, a autoridade monetária faz isso seguindo as regras do tal do “regime de metas de inflação”, por meio do qual o BC tenta fazer com que a inflação fique dentro de uma meta, atualmente de 4,5% ao ano, com uma margem de erro de 2 p.p. para mais ou para menos (ou seja, entre 2,5% e 6,5% ao ano).

E como ele faz isso? Mexendo nos juros: quando a inflação¹ está acima da meta, o BC eleva os juros; se estiver abaixo, ele baixa os juros, pra promover o efeito inverso do que descrevemos acima: desestimular a poupança, e estimular o consumo e o investimento. Periodicamente, seu presidente e seus diretores se reúnem no Copom pra definir aquela tal “taxa Selic”, também conhecida como “taxa básica de juros”, assim chamada por servir de base para que os bancos definam o custo dos empréstimos e também a remuneração das aplicações que captam do público.

Voltando às vacas magras: como a inflação está acima da meta, mais altas de juros poderão vir nas próximas reuniões do Copom. Boa oportunidade para você rever seus planos, equacionar suas finanças, reduzir suas dívidas e passar a ser um poupador. O que você está esperando pra finalmente fazer os juros trabalharem a seu favor?

Também conversamos sobre este assunto no programa Em Boa Companhia, da rádio Inconfidência AM – você pode ouvir aqui. E fique ligado porque todas as segundas-feiras estamos no ar, sempre com assuntos que interessam ao seu bolso e a você, claro.
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¹ No Brasil, há vários índices de inflação, calculados por diversos institutos de pesquisa. O índice que o Banco Central procura controlar é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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