Vou quitar! O valor está correto?

Vou quitar! O valor está correto?

Pesquisas recentes apontam que parte significativa dos brasileiros pensam em utilizar o 13º salário e participações nos lucros recebidas das empresas para quitação de compromissos financeiros. Neste momento, é fundamental a busca das informações e a utilização de lupa bem grande para verificar se o saldo devedor foi calculado corretamente!

Imagine o suor do ano todo para receber o 13º e a caminhada até o banco para pagar antecipadamente os empréstimos. Você entra na agência e o gerente te atende sorridente. Quando você vai dar o dinheiro, ele cobra mais caro do que deveria e você paga sem saber. É como se estivesse rasgando seu dinheirinho, não é?

O Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução nº 3.516, disciplina a liquidação antecipada de contratos de concessão de crédito e a forma de cálculo do saldo devedor quando a taxa de juros for um valor fixo (prefixada).

Com a norma, as instituições financeiras e leasings estão proibidas de cobrar qualquer tarifa adicional quando houver amortização em contratos de concessão de crédito ou de leasing, firmados a partir de 06 de dezembro de 2007, com pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte.

Além disso, a resolução estabelece que os pagamentos previstos para o futuro, quando pagos antecipadamente, devem ser trazidos a valor presente pela taxa de juros que constava no contrato inicial de empréstimo. Mas o que significa essa frase grande e o que é esse tal de valor presente? Significa que os desembolsos que iriam acontecer depois consideram juros em sua composição e como o pagamento é antecipado os juros devem ser retirados. O valor previsto para o futuro, após a retirada dos juros, para pagamento imediato é chamado de valor-presente.

Ninguém é obrigado a saber calcular o valor presente e recomenda-se consultar um contador ou utilizar a calculadora do cidadão, disponível no sítio do Banco Central do Brasil, para verificar qual o valor atual da dívida.

Considere o exemplo do Senhor Carlos, que pegou um empréstimo de R$ 1.000,00, com juros de 2% ao mês, para pagar em 24 parcelas de R$ 52,87. Após pagar as 12 primeiras, ele foi ao gerente do banco e perguntou quanto ainda devia porque queria usar o 13º salário e pagar antecipado.

Como o Sr. Carlos é consciente financeiramente, antes ele foi à Calculadora do Cidadão, na opção financiamento com prestações fixas e colocou as seguintes informações:

Nº de meses (que faltam) = 12
Taxa de juros mensal = 2,00
Valor da prestação (definida na assinatura do contrato) = 52,87

Clicou em ‘Calcular’ para obter o valor financiado. O resultado foi R$ R$ 559,13.

O gerente do banco falou o mesmo valor que o Sr. Carlos tinha calculado e então ele decidiu pagar. Se desse diferente, ele não iria pagar e procuraria ajuda do Banco Central.

O Sr. Carlos acertou duas vezes. Primeiro porque pagou antecipadamente e evitou os juros. Depois porque garantiu que o valor pago foi o correto. Com isso, ele não correu o risco de rasgar dinheiro!

Só você sabe o esforço necessário para ganhar seu dinheiro e por isso você deve ser o maior guardião!

Autor

João Luís Resende
João Luís Resende é mestre em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais e atua na área econômica há 13 anos, com experiência na indústria bancária, energética e financeira. Neste espaço, vai apresentar estratégias de uso eficiente do dinheiro para satisfazer necessidades e desejos.

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