No supermercado – parte 2

No supermercado – parte 2

 Leve dois, pague três! Adquira!
(Tianastácia, “Imperativo”)

 

Na semana passada, falei sobre situações a que frequentemente estamos expostos ao fazermos compras em supermercados. Mais especificamente, sobre problemas de desrespeito à lei ou de ausência de informação adequada. Hoje o assunto é um pouco mais leve, mas permanece o convite para que o leitor se mantenha atento.

Os supermercados foram criados nos Estados Unidos, na década de 1930, como forma de tentar minimizar custos operacionais. Em vez de um vendedor atender um cliente de cada vez, como eram os mercados tradicionais, o novo modelo induzia o consumidor a servir-se sozinho, para só depois precisar de um atendente, o caixa. Se, naquela época, eles tinham como diferencial apenas a praticidade, de algumas décadas para cá se tornaram palco de técnicas arrojadas de vendas.

O local onde cada produto será exposto é cuidadosamente escolhido. Mais que isso: tem preço. As lojas alugam os espaços mais nobres – pontas de gôndolas, stands de exposição – às indústrias e distribuidores. E isso, claro, não é à toa. Funciona. Os produtos cuja venda mais interessa ao lojista ficam ao alcance dos olhos e das mãos. Inclusive das crianças – balas e biscoitos mais atraentes ficam a pouco mais de 1 metro do chão.

Crianças, aliás, merecem um parágrafo à parte. Ao levá-las às compras, combine antes o que será comprado e esteja atento à sua própria margem de negociação com elas. Vai que, ao chegar ao supermercado, vocês se deparam com aquele biscoito que elas adoram, e que não aparecia nas gôndolas havia muito tempo… Alguma flexibilidade é bem-vinda, esses pequenos gostos alegram a rotina, desde que não se tornem uma farra desenfreada. Esta é uma oportunidade de educar as crianças – e a si mesmo – para o consumo consciente.

Algumas pessoas vão ao supermercado – especialmente os de bairro – quase diariamente, apenas para comprar pão e leite. Você já viu a padaria ficar próxima à porta de entrada? Geralmente fica lá no fundo, obrigando esse cliente diário a, pelo menos, passear pelos corredores ver as ofertas.

Já reparou como supermercados – especialmente os maiores – geralmente são bem iluminados, têm piso claro e música agradável e não têm relógios? É para que você relaxe, curta, não tenha pressa… e gaste bastante.

São muitas as técnicas de sedução usadas para despertar nosso desejo. Além de ficarmos atentos, que medidas práticas podemos tomar?

Fazer uma lista de compras é importante, para não comprar o desnecessário e não esquecer o necessário – e depois gastar tempo e gasolina voltando à loja. Se possível, a lista deverá informar o preço pago nas últimas compras – dá trabalho, mas vale a pena.

Ir ao supermercado com fome é um perigo! Ficamos muito mais expostos às compras por impulso e àqueles produtos apetitosos e saborosos – que, muitas vezes, são mais caros e menos saudáveis.

Muitos supermercados se propõem a igualar o preço dos concorrentes. Assim, leve às compras os panfletos de outros estabelecimentos, compare os preços e, quando for o caso, exija a equiparação.

É isso. Fazer compras é uma obrigação que pode ser prazerosa e menos dispendiosa. Basta ficar atento.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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