No supermercado – Parte 1

No supermercado – Parte 1

“Dona Nenê, Madame Gaspar, foram se encontrar no Peg-Pag
Ziguezague de carrinhos pelo super”
(Titãs, “Dona Nenê”)

 

As idas ao supermercado fazem parte da rotina de quase todas as famílias. Para muitos, a tarefa é penosa, feita ao final de um dia de trabalho, em meio a cansaço e pressa. Com isso, é grande a chance de que o cliente, distraído, seja lesado no seu direito de consumidor, de várias formas diferentes.

Um dos problemas mais comuns é a diferença de preços entre o que está anunciado na gôndola e o que é registrado no caixa. Quanto a isso, a lei é clara: vale o menor valor. Ocorre que, muitas vezes, o consumidor não percebe o “engano”. E, quando percebe e acusa, o supermercado simplesmente pede desculpas, cobra o preço correto e, literalmente, a fila anda.

Por isso, é muito importante que, mesmo que o supermercado corrija o erro, a pessoa faça a denúncia nos órgãos de defesa do consumidor. Só assim esses órgãos terão apoio para tentar aumentar, em lei, o rigor contra os estabelecimentos.

Outro problema frequente – e que também costuma passar despercebido – é a comercialização de produtos vencidos. Neste caso, ainda está em tramitação no Congresso o Projeto de Lei 4823/2012, que dispõe sobre o direito do consumidor “que encontrar exposto à venda produto ou serviço com prazo de validade vencido, de receber gratuitamente do fornecedor um produto idêntico ou similar em condições próprias para consumo”.

Enquanto a Lei não é aprovada, a Associação Mineira de Supermercados (AMIS) adotou, por conta própria, o programa “De olho na validade”, que tem basicamente a mesma regra. A adesão pelos supermercados é voluntária, mas, segundo o sítio da associação, 74 estabelecimentos já estão participando.

Os dois exemplos acima se referem a desrespeitos à lei. No entanto, há situações semelhantes em que o estabelecimento não chega a estar em desacordo com a norma. Recentemente flagrei duas delas, no supermercado onde faço compras. Se eu não estivesse atento, poderia ter feito uma compra ruim.

A primeira foi na seção de sucos. Algumas marcas oferecem suco integral e “néctar de fruta”. O suco integral, além de mais saboroso, é mais saudável, pois tem menos açúcar. E, claro, é mais caro – o dobro do preço. Pois num dia desses eu vi, na gôndola, o suco integral junto da etiqueta de preço do néctar. Não havia néctar na prateleira, nem etiqueta de preço do suco integral, parecia ter sido feito para iludir o cliente. E por pouco não me iludiu – eu pagaria R$ 7,00 por um produto que parecia estar anunciado a R$ 3,25.

A segunda situação foi na prateleira de queijo ralado. Uma marca famosa, geralmente mais cara, estava sendo vendida pela metade do preço das demais. Evidentemente, desconfiei e olhei a data de validade: estava vencendo no dia seguinte.

Não quero, neste curto espaço, questionar o que existe de má fé, distração ou estratégia nesses exemplos todos. Quero apenas chamar a atenção do leitor para situações a que estamos expostos dentro de um supermercado.

Na próxima semana permanecerei neste assunto, mas com um tema um pouco mais leve: técnicas de venda em supermercados.

Autor

Ewerton Veloso
Ewerton Veloso é bacharel e mestre em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais. Trabalha há mais de 10 anos na área de monitoramento do Sistema Financeiro Nacional e é professor de Administração. Neste espaço, pretende convidar o leitor à organização das suas finanças e à reflexão quanto ao seu comportamento como consumidor e investidor.

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