O barato nem sempre sai caro

O barato nem sempre sai caro

Fazia um tempo que eu queria comprar uma máquina de espresso – vamos usar aqui a palavra em italiano, pra manter o charme. Olhava “de vez em sempre” nas lojas virtuais e acabava deixando pra lá, num misto de dúvida sobre qual comprar e de susto com os preços. Cobiçava uma igual a que tem na casa de uma amiga com quem tenho uma espécie de confraria gastronômica. Italiana, chiquérrima. O valor dessa, porém, sempre me desanimava. Nas buscas, encontrava umas mais baratinhas, mas não tinha coragem de comprar. Logo vinha na minha cabeça o ditado: “o barato sai caro”. Quase podia ouvir a voz da minha avó me sussurrando isso ao pé do ouvido. Nesse impasse, segui por bastante tempo sem uma máquina de espresso. Claro que não morreria por isso, afinal, sempre foi mais um gosto do que uma necessidade. (Mas minha avó também costumava dizer: “mais vale um gosto…”)

Porém, ao contrário do que afirma o ditado, o barato nem sempre sai caro – o que já comprovei em algumas situações, e uma delas é a que conto aqui hoje. Fui visitar outra amiga no dia do aniversário dela e, conversa vai, conversa vem, me foi oferecido um espresso. Gostei do resultado do café  e logo quis saber qual era a máquina. Anotei marca e modelo e quando fui pesquisar, vi que era um dos mais baratos que já havia visto. E bom, como já havia constatado ao provar o café. Enfim, o útil e o agradável juntos. Se não tivesse experimentado na casa de minha amiga, não teria comprado esse modelo, talvez até por um certo “preconceito de marca”, mas, como experimentei, consegui enfim uma máquina de espresso bem completa e funcional e pagando bem em conta.

Bom, mas o que eu quero dizer com isso? Na busca por um produto que se deseja ou precisa, vale a pena tentar fazer um “test-drive”. Isso porque, muitas vezes, nós acabamos comprando mais pela marca – a que tenha mais tradição no mercado ou que seja mais famosa – e às vezes isso sai caro para o bolso. Com um “test-drive”, podemos desmistificar que só essas marcas “tradicionais”, que geralmente são as mais caras”, são boas – e marca nem sempre é garantia de qualidade. Em geral, algumas lojas possuem mostruário para teste. Se for em alguma que não tenha, pergunte aos amigos. Com as redes sociais, fica fácil trocar esse tipo de figurinha. Se não conseguir nem uma coisa nem outra e acabar comprando um produto que, no fim das contas, acabou desagradando, não se avexe: você tem direito a troca. Fique atento aos prazos (e aqui estão algumas dicas) e não deixe a oportunidade passar. Consumidor bom é consumidor esperto.

Autor

Liliane Pelegrini é jornalista e neste espaço pretende trazer um pouco da experiência do consumidor que ainda precisa aprender a lidar com o próprio dinheiro.

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