Táticas de guerrilha para consumistas em potencial

Táticas de guerrilha para consumistas em potencial

Outro dia estava conversando com um amigo e em dado momento do papo começamos a falar de compras e pesquisa de preço. Para mim, comprar é fácil, mas pesquisar preços… É até vergonhoso dizer isso neste espaço em que os demais titulares explicam o tempo inteiro a importância pesquisar e comparar antes de usar o dinheiro. Costumo falar que sou a cigarra, da fábula “A Cigarra e A Formiga” – não que eu só viva cantando por aí, pelo contrário, trabalho bastante, mas não sou a pessoa mais ligada em dinheiro.

Esse meu amigo, porém, é mais disposto a garimpar preços quando precisa comprar alguma coisa. Na conversa, ele me contou que tem a tática do “obrigado!”, que surgiu bem sem querer na vida dele. Fiquei curiosa: tática do “obrigado!”? Ele então me relatou o funcionamento da coisa, lembrando de quando teve que comprar fogão para a casa nova. Com o modelo que queria em mente, foi a um shopping. Ele já tinha visto a peça e o preço na internet, mas decidiu fazer apurar pessoalmente na mesma loja em que pesquisou pela internet.

Ao ouvir da boca do vendedor o valor do fogão vendido ali, simplesmente respondeu “obrigado!”, virou as costas e foi se encaminhando para a saída. Aí o vendedor foi atrás dele: “O senhor já achou mais barato?” “É, achei. Na sua loja mesmo, pela internet”, respondeu meu amigo. Meu amigo não é de chorar preço, porque acha que cada um dá o preço que quiser (a obrigação de aceitar ou não o valor é dele, segundo seus dogmas particulares), mas com o “obrigado!” simples e seco aguçou o interesse do vendedor e jogou para ele a responsabilidade de querer negociar. Resumo da ópera: o amigo conseguiu um preço menor do que havia visto na internet e ainda com um prazo de entrega menor do que o que constava na web. (Claro que não foi rápido e fácil assim, envolveu idas e vindas entre vendedor e gerente, mas no fim ele economizou uma boa grana).

A experiência dele me fez perceber que, apesar de ser meio cigarra, também tenho desenvolvido nos últimos tempos, quase sem perceber, um conjunto de estratégias, que eu carinhosamente passei a chamar de Táticas de Guerrilha para Consumistas em Potencial. Eu, que detesto shoppings e prefiro mil vezes comprar online, tinha sempre o cartão de crédito perto do computador. Normalmente, ele ficava debaixo do teclado. Era só ver um anúncio interessante e, pá, não precisava nem me levantar da cadeira para buscar o cartão na bolsa e fechar negócio. Comprei muitas coisas assim por impulso, porque o anúncio estava ali me chamando e o cartão de crédito bem estava à mão. De uns tempos para cá, porém, mudei a configuração. Meu cartão de crédito passou a ficar sempre dentro da carteira e, nas constantes mudanças de bolsa, às vezes levo um tempo para encontrá-la. Costumo ficar com preguiça de levantar para buscar o cartão e, com milhares de coisas a fazer no computador, acabo esquecendo da tal compra. Tenho economizado um bocado com essa tática, porque aí, quando eu lembro de novo do produto que me seduziu, já estou menos afetada emocionalmente por ele e até consigo avaliar se realmente preciso daquilo naquele momento.

Outra tática que desenvolvi – e esta foi totalmente por acidente – foi deixar os produtos escolhidos em um site de compras descansando no carrinho por um tempo. Aí leio um artigo, trabalho mais um pouco, respondo uma mensagem e vou esquecendo que eles estão ali. O objetivo é o mesmo: ter um certo distanciamento do impulso para pensar melhor. Sem querer dei o pulo do gato: numa dessas, esqueci a compra até o dia seguinte, quando fui lembrada por e-mail pela loja, que inclusive me ofereceu um bom desconto e frete grátis para que eu finalizasse a compra naquele momento. Aí foi difícil resistir… Mas nesse dia me senti meio ninja, quase um Bruce Lee do bom consumo.

Comecei, então, a questionar amigos, colegas de trabalho e às vezes até alguns desconhecidos, todos igualmente meio cigarras, sobre se eles tinham/tem também alguma “tática de guerrilha”. De fato, cada um tinha alguma, que pode até não ser, digamos, das mais racionais ou eficientes, mas que, no fim das contas, acaba fazendo alguma diferença. E haja criatividade! Outro dia narro mais do que ouvi por aí…

E você, tem alguma “tática de guerrilha” para economizar? Conta aqui nos comentários!

Autor

Liliane Pelegrini é jornalista e neste espaço pretende trazer um pouco da experiência do consumidor que ainda precisa aprender a lidar com o próprio dinheiro.

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