Dia das Crianças e consumo: uma reflexão

Dia das Crianças e consumo: uma reflexão

O Dia das Crianças está chegando. Se você tem filho(s), já deve estar pensando no que fazer pra comemorar essa data maravilhosa ao lado dele(s) e, muito provavelmente, em comprar algum presentinho para ele(s). Essa e tantas outras datas comemorativas – Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados etc… – além de, claro, nos permitirem comemorar a existência e a convivência com aqueles que amamos, são uma ótima oportunidade para o comércio varejista dar aquela turbinada nas vendas.

Considerando que você não vai conseguir escapar de comprar algo pra presentear os seus filhotes no domingão, vão aqui algumas dicas: em primeiro lugar, pesquise bastante o preço dos produtos. Em épocas de alta demanda como essa, os preços variam bastante de um lugar pro outro. Um levantamento feito pelo Procon-SP realizado em quase 70 estabelecimentos comerciais na capital e no interior do estado indica que a diferença de preços dos brinquedos de uma loja para a outra na capital chega a impressionantes 102%. No interior, em São José dos Campos, a variação é ainda mais espantosa: 224%! Além disso, os preços dos brinquedos subiram quase 9% em relação a 2013, bem mais que a inflação medida pelo IPC-Fipe (também em SP), que variou 5,5% no mesmo período.

Uma boa saída para fugir dos preços altos é escolher bem o local da compra: o Procon-SP identificou que os menores preços foram encontrados na região central da cidade de São Paulo. No seu caso, você certamente vai encontrar preços mais em conta no centro da cidade do que num shopping center situado em região nobre. Outra boa estratégia é comparar os preços das lojas físicas com os das lojas na internet.

Bom, mas talvez mais importante do que ajudá-lo a escolher o que e onde comprar pros seus bacuris seja convidá-lo a refletir sobre os seguintes pontos: você acha mesmo necessário comprar esses presentes pra seus filhos? Eles vão mesmo sentir falta se você (passar a) não presenteá-los nessa data? O que mais vale: presenteá-los com o enésimo Lego, a zilionésima Barbie ou educá-los desde cedo, mostrando a eles que essa data não faz o menor sentido, que é uma criação meramente mercadológica e que eles, muito embora até desejem, não precisam desse presente nesse dia? Aliás, sobre essa questão de necessidade e desejo, vale a pena ler este post que publicamos aqui no blog recentemente.

Minha experiência como pai me mostra, dia após dia, que o que mais importa na vida dos filhos é que eles percebam o quanto você gosta deles, o quanto você se dedica a eles. Ganhar presentes os deixa felizes, claro, mas é uma felicidade muitas vezes efêmera, que vai embora com a primeira brisa. Investir seu tempo neles, isso sim, deixará sólidas memórias na cabecinha deles.

Outra coisa que cada dia mais me salta aos olhos: a felicidade dos nossos herdeiros, via de regra, não tem muita relação com o fato de o brinquedo ter sido comprado. E muito menos com o preço pago. Qualquer coisa vira brinquedo na mão de uma criança! Não precisa ser o videogame de última geração. Meia dúzia de aviõezinhos ou barquinhos de papel, que você faz, desenha e colore com eles, faz escudo, piloto, logotipo etc, dão muito pano pra manga na imaginação e na brincadeira deles! Uma bola de meia feita em casa, em conjunto com eles, lhes propiciará outras incontáveis horas de diversão de fazer inveja em qualquer Brazuca. Pense bem nisso: os melhores presentes muitas vezes são aqueles que têm o seu dedo, a sua participação. São aqueles que permitem que você interaja com seus filhos, independentemente de marca ou preço. Se você construir o brinquedo então… Ah, isso certamente ficará na memória deles (e na sua) pro resto da vida! Faça essa experiência e veja o resultado. O domingão da sua família será tão melhor quanto mais você fizer parte da bagunça.

 

*ILUSTRAÇÃO: Carlos Sá

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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