E aí, choveu?

E aí, choveu?

Passei hoje, dia 6 de outubro, por uma senhora que de mangueira em punho, esguichava água abundantemente para lavar a sua calçada. Deve ter chovido… Só pode ter chovido! Não é possível que, com toda esta secura, eu tenha visto o que vi.  Ou isto, ou alguém me belisque, me acorde e me diga que estava sonhando…

Com requintes de crueldade com aqueles que se importam com o uso consciente dos escassos recursos naturais, ela cuidava de carrear cada folhinha para o bueiro… Empurrando uma por uma até que caíssem. Encestava uma, lá voltava ela com os olhinhos apertados, acertando a pontaria para gastar mais alguns litros d’água, até que conseguisse encestar a próxima.

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Porque estou trazendo este assunto aqui? Porque isto tem tudo a ver com a gestão das finanças pessoais. Como assim?! Imaginem: reservatórios nos níveis mais baixos em anos, não passa um dia sem lermos uma notícia de como a falta d’água impactou os negócios como, por exemplo, o turismo, de como não tem água na represa tal, de risco de apagão, racionamento de água, queimadas por falta de chuvas, etc… E esta senhora desperdiçando água desta forma? Sem pensar nas consequências das escolhas que faz, sem questionar hábitos antigos, pondo a perder não só o dinheiro dela – aumentando sua conta de água – e também interferindo no bem-estar da sociedade.

De forma similar, apesar de estarem lidando com limitada renda e orçamentos familiares apertados, as famílias continuam desperdiçando dinheiro, tanto em consumo desnecessário, impulsivo, quanto pagando preços mais altos em suas compras e contratações de produtos e serviços financeiros.

Qual foi a última vez que você avaliou direitinho seus gastos? Para onde vai o seu dinheiro? Você pode me assegurar que sabe exatamente para onde vai sua grana? Consegue justificar seus gastos? Eles são realmente necessários ou, se são desejos/luxos, foram planejados e cabem no seu orçamento? Quando você faz compras, você compara preços entre marcas e entre fornecedores? Da mesma forma, quando contrata produtos financeiros, você pesquisa as melhores taxas ou os menores custos?

Pois é, será que você que estava aí indignado com o comportamento da senhorinha gastadora de água não está fazendo o mesmo só que com outro recurso? Sim, com o seu dinheiro, que vem do uso do seu tempo – o bem mais escasso que existe. É como se a cada esguichada daquelas, saíssem da mangueira dias do seu trabalho e escorressem direto para o bueiro…

Autor

Frederico Torres
Profissional do mercado financeiro há 20 anos e interessado em como fazer o $$$ parte de nossa vida de forma mais saudável.

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