Cheque especial: muy amigo pero no mucho

Cheque especial: muy amigo pero no mucho

Outro dia, saiu um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) dando conta de que existem no Brasil mais de 103 milhões de contas correntes, pouco mais da metade da população brasileira. Do total dessas contas, uma boa parcela conta com o famigerado limite de cheque especial, “gentilmente” concedido pelo gerente de conta corrente.

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Usá-lo por si só já é um problema, tendo em vista as altas taxas de juros. E o problema se agrava bastante se o devedor acumula outras dívidas, como  cartão de crédito, crédito pessoal e financiamento do veículo, e se torna um superendividado. Esse sujeito é aquele consumidor “de boa-fé que se encontra impossibilitado de pagar com o seu rendimento mensal o conjunto de suas dívidas de consumo vencidas ou a vencer, sem prejuízo grave do sustento próprio ou de sua família”, segundo o Procon-SP.

Em entrevista concedida recentemente ao Estadão, Vera Remedi, que trabalha na entidade, afirmou que muitos desses devedores têm mais de 70% de sua renda comprometida com outros empréstimos bancários.

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Com isso, o devedor já entra no cheque especial mal começa o  mês, com a quitação das prestações das outras dívidas via débito em conta. E as taxas de juros dessa modalidade, você já sabe, brigam cabeça a cabeça com as do rotativo do cartão de crédito pelo título de “os maiores juros do planeta”!

É aí que mora o perigo: esses juros astronômicos fazem a sua dívida crescer como uma bola de neve, favorecendo o descontrole da sua situação financeira. Remedi é coordenadora do Programa de Apoio ao Superendividado, que tem por objetivo ajudar aqueles que entram nessa areia movediça da superdívida a sair dela.

O cheque especial é uma modalidade que deveria servir exclusivamente para ocasiões esporádicas, emergenciais e de curtíssimo prazo em função do seu alto custo e risco.

Você pode me dizer:  “ah, mas meu banco me dá 10 dias sem juros no cheque especial”. Se você conseguir se organizar pra ficar devendo menos tempo que esses 10 dias, menos mal. Mas o melhor mesmo seria não precisar dessa grana nunca! Sendo assim, se você perceber que está entrando no vermelho todo santo mês, é melhor rever seus conceitos, ou melhor, rever seu orçamento de forma a reduzir até zerar essa dependência maligna.

Fez o dever de casa e ainda assim não está conseguindo fechar suas contas no azul? Tudo bem: faça um crédito pessoal, de preferência de prazo não muito longo, pra dar tempo de você organizar melhor sua vida e se livrar do cheque especial. Assim, você provavelmente pagará menos juros ao seu banco, além de se forçar a pagar o principal aos poucos, mensalmente. Resumindo: fuja do cheque especial igualzinho o diabo foge da cruz!

Autor

Daniel Loureiro
* Daniel Loureiro é mestre em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais, atua no mercado financeiro há 15 anos, com experiência tanto vendendo produtos na linha de frente quanto na área de controles e supervisão, e também tem vivência no meio acadêmico. Neste espaço, vai demonstrar que aprender a lidar com dinheiro pode ser tão prazeroso quanto uma boa corrida, esporte do qual é adepto.

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