A volta dos mortos-vivos: ressuscitaram os carnês – e um alerta sobre cartões de lojas

A volta dos mortos-vivos: ressuscitaram os carnês – e um alerta sobre cartões de lojas

Quem lembra do carnê? Pois ele está, aos poucos, reaparecendo no comércio brasileiro, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo. “A volta do carnê é resultado principalmente da queda nas vendas. As lojas estão se virando para atrair o consumidor, porque os estoques estão muito elevados, seja de automóveis, geladeiras ou camisetas”, declarou à reportagem José Domingos Alves, supervisor da rede paulista Lojas Cem. “Estão oferecendo carnês, cheque prédatado, que também disseram que ia acabar, mas continua forte. O carnê tem a vantagem de atender pessoas que já esgotaram seu limite no cartão de crédito ou querem deixar o cartão para outras coisas”, acrescentou Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Brasileira de Executivos de Finanças.

Esse assunto me lembrou do  relato de uma leitora, dizendo que, quando estava  no caixa de uma loja de departamento, pagando a compra que fez, ofereceram a ela um cartão da loja, mais um recurso do comércio para alavancar as vendas. E aí bateu a dúvida: esses cartões de loja valem a pena?

É preciso destacar que o que você gasta nestes cartões, que se assemelham em muito aos antigos carnês, na maioria das vezes não conta no seu limite de crédito. Mas diferentemente do que foi dito acima, não vejo isto como uma vantagem e, sim, como um risco, afinal seu limite do seu cartão de crédito foi criado para proteger você dos perigos do excesso de endividamento. Veja: o banco faz a conta, não faz sentido que você gaste X vezes a sua renda em um só mês, não é verdade?! Daí as pessoas vão lá e contratam outros cartões, inclusive os de loja e carnês para driblar este limite. É como se você estivesse tentando enganar a si mesmo. Não dá… Lá na frente você vai ter de pagar e provavelmente não terá condições. Aí começa a novela do superendividamento… Bom, além deste que é o principal risco, há também mais alguns perigos e inconvenientes que destaco abaixo, baseados no meu próprio exemplo.

Passei pela mesma situação e confesso que fiquei tentado, já que o desconto era de 10% sobre o valor da compra, ou aproximadamente uns R$ 40, no meu caso. Mas acabei não fazendo. Por quê? A principal razão foi que a fatura somente podia ser paga no guichê da própria loja. Imaginem só, com a correria do mundo de hoje, você não poder incluir seu cartão no débito automático? Ou mesmo, no dia do vencimento do cartão, você tenta pagar pela internet banking, phone banking, agência e nada. Daí acaba incorrendo em multas e juros por pagamento em atraso. Você acaba perdendo uma boa parte do seu dia, obrigado a voltar pra loja pra pagar sua fatura, além de ter uma grande chance de que você acabe comprando ainda mais, geralmente por impulso.

Autor

Frederico Torres
Profissional do mercado financeiro há 20 anos e interessado em como fazer o $$$ parte de nossa vida de forma mais saudável.

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