Estamos Tentando Ficar Ricos do Jeito Errado (Parte 3)

Estamos Tentando Ficar Ricos do Jeito Errado (Parte 3)

O primeiro passo para acumular patrimônio é começar a investir, mesmo que seja pouco dinheiro.

Esta série de artigos está rendendo uma excelente troca e aprendizado. No primeiro artigo, falei sobre a necessidade de focarmos mais em diminuir nossas dívidas que em procurar os “melhores investimentos”.

No segundo artigo, mostrei exemplos relacionando o tamanho da dívida de algumas famílias e o total necessário em termos de investimentos reais para que fizesse algum sentido endividar-se.

Confesso que estou adorando falar sobre tentarmos ficar ricos do jeito errado. No texto de hoje responderei a mais um comentário – desta vez do Pires, a quem também agradeço pela provocação. Ele pergunta: “E para aquele que não tem nenhuma dessas dívidas, mas ainda não conseguiram acumular dinheiro. O que fazer?”

Em primeiro lugar, tenho que lhe dar os parabéns: estar sem dívidas já é um excelente começo. Agora é dar o segundo passo: investir!

Para começar, mesmo com pouco dinheiro, já dá para se pensar em caderneta de poupança (rende pouco, mas é um bom começo, especialmente porque não tem valor mínimo ou custos de manutenção) e títulos públicos (a partir de R$ 200,00, aproximadamente).

Com R$ 5.000,00 já dá para se pensar em algo mais sofisticado. Com R$ 10.000,00 já é possível encontrar LCI que remuneram acima dos títulos públicos. E por aí vai.

Você pode achar que acumular R$10.000,00 é difícil, mas o importante é começar. Acredite. Com determinação, disciplina e tempo é possível chegar a R$ 10.000,00; R$ 100.000,00 e até alcançar seu primeiro milhão.

Vejamos um exemplo. Suponha um investimento de R$ 100,00 ao mês (R$ 1.200,00 ao ano) investidos em caderneta de poupança ao longo de 30 anos, supondo que tenhamos rendimento da caderneta de poupança em 6,2% ao ano (óbvio que não teremos algo tão estável ao longo de tanto tempo).

Ano

Valor Investido

Rendimento (juros)

Valor Total

1

           1.200,00           37,20

     1.237,20

2

           1.200,00          113,91

     2.551,11

3

           1.200,00          195,37

     3.946,47

4

           1.200,00          281,88

     5.428,36

5

           1.200,00          373,76

     7.002,11

6

           1.200,00          471,33

     8.673,45

7

           1.200,00          574,95

   10.448,40

8

           1.200,00          685,00

   12.333,40

9

           1.200,00          801,87

   14.335,27

10

           1.200,00          925,99

   16.461,26

11

           1.200,00       1.057,80

   18.719,06

12

           1.200,00       1.197,78

   21.116,84

13

           1.200,00       1.346,44

   23.663,28

14

           1.200,00       1.504,32

   26.367,60

15

           1.200,00       1.671,99

   29.239,60

16

           1.200,00       1.850,05

   32.289,65

17

           1.200,00       2.039,16

   35.528,81

18

           1.200,00       2.239,99

   38.968,80

19

           1.200,00       2.453,27

   42.622,06

20

           1.200,00       2.679,77

   46.501,83

21

           1.200,00       2.920,31

   50.622,14

22

           1.200,00       3.175,77

   54.997,91

23

           1.200,00       3.447,07

   59.644,99

24

           1.200,00       3.735,19

   64.580,17

25

           1.200,00       4.041,17

   69.821,35

26

           1.200,00       4.366,12

   75.387,47

27

           1.200,00       4.711,22

   81.298,69

28

           1.200,00       5.077,72

   87.576,41

29

           1.200,00       5.466,94

   94.243,35

30

           1.200,00       5.880,29

 101.323,64

Total

         36.000,00     65.323,64

 101.323,64

Diante deste cenário utópico, teríamos chegado aos R$ 100.000,00 investindo R$ 100,00 em caderneta de poupança ao longo de 30 anos.

A variação da SELIC (que agora tem influência direta no rendimento da caderneta de poupança), ou das regras da caderneta de poupança, pode afetar para mais ou para menos este resultado, mas o mais importante é perceber que o rendimento (juros), em longo prazo, mesmo para aplicações de menor valor, supera os aportes consideravelmente.

O período de 30 anos parece muito tempo? A caderneta de poupança rende muito pouco? Imagine, então, que você poderia – a partir de valores maiores – obter rentabilidades melhores em produtos mais sofisticados. O importante, ora, é começar!

Portanto, não ter conseguido acumular dinheiro não significa que não vá conseguir acumular. Comece já a colocar os juros compostos para trabalhar para você (e não contra você). Reforço: determinação, disciplina e tempo podem mudar a sua vida. Comece já! Abraço e até a próxima.

(Publicado também http://dinheirama.com/blog/2014/02/24/ficar-rico-jeito-errado-parte-3/)

Autor

Daniel Meinberg
Autor do livro “O Melhor Investimento pra Você – Princípios de Educação Financeira”, editora AR, 2015, que trata de forma clara para o leigo sobre diversos produtos focados em investimentos. Ministrou palestras sobre educação financeira.

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