Meu gerente não é lá muito meu amigo

Meu gerente não é lá muito meu amigo

Que me desculpem os gerentes de banco mas hoje vou “criar caso” com vocês. Trata-se de profissionais destinados a atender o público bancário, contratados pelos bancos, pagos pelos bancos, para atender – primeiramente – os interesses dos bancos (e, se compatível, os dos clientes).

Conflito de Interesses

Interessante a postura dos gerentes, e esta é uma situação complicada: eles posam de defensores de seus interesses, dizem que buscam oferecer o melhor para você, mas na verdade defendem os bancos, buscam atingir – muitos a qualquer custo – suas metas.

Um exemplo disto que falo é o esforço que fazem para vender títulos de capitalização. É comum ver gerentes oferecendo este produto a clientes no momento da tomada de empréstimos. Santo Deus do céu! Como isto é cruel com o cliente! O sujeito está apertado, precisando tomar um empréstimo, e o gerente tenta empurrar – e muitas vezes consegue – um produto que é bem menos rentável (rende menos até que a poupança) sob o apelo dos sorteios. O produto é tão lucrativo que eu não conheço um gerente de varejo que não tenha meta agressiva de venda de título de capitalização. Bom, se você está lendo e entendendo o que eu digo, não vai investir enquanto estiver endividado (muito menos comprar título de capitalização) e, se quiser fazer seu joguinho, que seja na Mega Sena, de preferência na Mega da Virada, pois, se ganhar, paga a dívida e investe com vontade.

Despreparo

Pior que o conflito de interesses, a meu ver, é o despreparo do “gerente médio” que está atendendo o varejo. É comum que não conheçam adequadamente o que tem a te oferecer, especialmente quando tratamos de produtos um pouco mais sofisticados. Passou do arroz com feijão, ou seja, poupança, título de capitalização e meia dúzia de fundos é provável que sua resposta não será prontamente respondida. Boa parte não sabe falar nem sobre Tesouro Direto. Alguns ainda se dão ao trabalho de pesquisar e te dão retorno posteriormente. Se não conhecem sequer os produtos que o banco para o qual trabalha disponibiliza, quanto mais saber o que o mercado oferece. E ainda mais improvável conseguir uma comparação minimamente razoável com o que está posto. Cabe a você, portanto, conhecer o que cada um oferece, entender os riscos e os bônus, comparar e aplicar seu dinheiro da forma mais adequada. Sim, é você quem tem que cuidar disto. Não dá para delegar e esquecer.

Conclusão

Tentando resumir o meu recado de hoje, é melhor você mesmo procurar tomar conta do seu dinheiro. Ouça seu gerente mas tenha condições de entender e ponderar com ele, buscando o melhor produto PARA VOCÊ. E escute outros gerentes, de outras instituições, ou especialistas. Ah, e não “invista” em títulos de capitalização.

 Se não concorda, comente: vamos debater? Até a próxima.

 (Publicado também em http://dinheirama.com/blog/2013/11/08/meu-gerente-bancario-nao-e-la-muito-meu-amigo/)

Autor

Daniel Meinberg
Autor do livro “O Melhor Investimento pra Você – Princípios de Educação Financeira”, editora AR, 2015, que trata de forma clara para o leigo sobre diversos produtos focados em investimentos. Ministrou palestras sobre educação financeira.

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